Severino passa três dias da semana em Brasília
Dos mortos-vivos da Câmara, outro que está sempre presente é o ex-presidente da Casa Severino Cavalcanti (PP-PE). Ao contrário da turma do mensalão, ele renunciou por causa de um mensalinho. O empresário Sebastião Buani o acusou de lhe cobrar propina para renovar a licença de exploração de restaurante na Câmara. O cheque apareceu e Severino renunciou. No dia em que deixou a Câmara, ele anunciou: ''Voltarei.''
Severino passa em Brasília os três dias da semana mais movimentados. Perambula pelo Senado e pela Câmara. Visita seu antigo gabinete de presidente, dá uma parada no do segundo-vice, seu pupilo Ciro Nogueira (PP-PI), e depois segue para o anexo do Senado onde funciona a presidência do PP. Tem ainda uma sala no Ministério das Cidades, onde seu amigo Márcio Fortes é o titular. Antes, quando aparecia, os repórteres corriam atrás de Severino, que sempre dava uma entrevista e um palpite sobre alguma coisa. Agora, quando ele passa, já não desperta interesse.
O mesmo acontece com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que renunciou também por causa do dinheiro de Marcos Valério. Passa pelos repórteres e, se alguém lhe acena, diz que está em voto de silêncio. Ele afirma que recebeu R$ 6,5 milhões e que gastou tudo com a campanha do segundo turno do candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Marcos Valério diz que foram R$ 10,8 milhões.
Valdemar não está nem aí para a diferença. Fica em Brasília a semana toda. Como é presidente do PL, só deixa a capital para encontros do partido, agora estruturado em todos os Estados.
Ainda vivo, mas com possibilidade de perder o mandato a qualquer hora, porque a Justiça Eleitoral o acusa de compra de votos, o deputado Ronivon Santiago (PP-AC) se esgueira pelos corredores da Câmara. Assinou o requerimento para prorrogar a CPI dos Correios até abril.
Pressionado pelo governo, recuou e retirou a assinatura. Ele renunciou ao mandato em 1998, logo depois da revelação do escândalo da compra de votos para a aprovação da emenda da reeleição e sumiu. Reapareceu em Fortaleza. Voltou à Câmara na atual legislatura. Mas não deverá terminá-la. (J.D.)





