Brasília - O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE) afirmou ontem que é falsa a assinatura atribuída a ele no documento que prorroga o funcionamento de um dos restaurantes da Casa, apresentado pelo empresário Sebastião Buani. Severino apresentou à imprensa um laudo técnico sobre sua assinatura, que atesta a falsidade do documento.
''Forçoso é constatar que se trata de um documento montado eletronicamente. Trata-se, assim, de uma falsificação'', diz o laudo, segundo Severino Cavalcanti. Em entrevista à imprensa, ele rebateu a acusação de Buani de que teria sido obrigado a pagar mesada de R$ 10 mil ao então primeiro secretário da Câmara em troca da prorrogação do contrato. ''A autorização para a prorrogação do contrato se deu no dia 3 de janeiro de 2003 e não do dia 31 (daquele mesmo mês como afirma Buani). Antes disso, desde 24 de janeiro, o novo contrato já se encontrava em vigor. Jamais houve a tal reunião do dia 31'', disse Cavalcanti.
Perguntado se aceitaria uma acareação com o empresário brasiliense, o presidente da Câmara disse que não tem ''medo de ninguém''. Acrescentou, entretanto, que, permanecerá com a conduta que o cargo lhe exige. ''Não estou pronto para aceitar insinuações de uma pessoa como ele'', afirmou o deputado.
Também disse ser mentirosa a história contada por Buani de que pagou com cheque um dos ''mensalinhos''. ''Fala-se, agora, de um misterioso cheque, que algum motorista que trabalha comigo, cujo nome não é dado, teria descontado. Antes, já se falou de pagamento de cartão de crédito, de entrega de vários cheques. Mentiras, mentiras, mentiras!'', disse o parlamentar. Durante toda a entrevista e mesmo antes, durante um pronunciamento, Severino Cavalcanti não poupou o empresário de adjetivos, como mentiroso, chantagista e inescrupuloso.
O presidente acrescentou que não pretende renunciar ou se afastar do cargo por causa das denúncias feitas pelo empresário Sebastião Buani. E que pretende ser um ''juiz'' nas sessões da Câmara que vão apreciar processos de cassação de parlamentares envolvidos nas denúncias de compra de votos e uso de caixa 2 em campanhas políticas.
Durante a coletiva, Severino Cavalcanti (PP-PE) fez acusações ao deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), um dos primeiros a pedir seu afastamento. Há quase duas semanas, Severino e Gabeira tiveram uma discussão no plenário da Câmara. ''O que o Gabeira faz eu não faço. Eu não ando com maconha nem com tóxicos, nem frequento bares onde jovens fumam maconha'', disse .
Em outro momento Severino apelou para a demagogia. ''Sei que o preconceito é meu maior inimigo. Por isso, não me surpreendem manifestações histéricas de uma minoria que não admite que um nordestino simples possa estar à frente de uma das Casas do Poder Legislativo''.

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