Brasília - O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), disse ontem que é um dever do governo liberar verbas para atender às emendas feitas pelos parlamentares no Orçamento da União. Depois de tomar café da manhã com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, Severino afirmou que a liberação do dinheiro não deve ser interpretada necessariamente como resultado de barganha para barrar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) pedida para investigar denúncias de corrupção nos Correios.
''Isso é obrigação do governo para com os Estados e municípios, que os deputados representam. Eu não vejo nisso nenhuma troca, nenhuma permuta. O parlamentar põe as emendas no Orçamento e o governo tem é que cumprir e atender às emendas colocadas pelos deputados'', declarou Severino. ''Errar é humano. Se eles (o governo) erraram antes por não terem liberado as verbas, naturalmente agora com o superávit que está tendo a Fazenda, ele (Palocci) vai poder fazer o pagamento do que está devendo aos municípios e Estados.''
O presidente da República, lembrou Severino, sanciona a Lei Orçamentária e, portanto, é ''co-responsável pelo cumprimento das verbas''. Apesar das declarações de Severino, o fato é que Palocci, nesta semana, entrou pessoalmente na negociação para derrubar a CPI dos Correios e prometeu que cada um dos parlamentares aliados será premiado com a aplicação de R$ 1,5 milhão para obras em seu reduto eleitoral.
Já foram liberados R$ 250 milhões e o governo comprometeu-se a pagar mais R$ 400 milhões. ''Não vai haver barganha nenhuma porque neste governo não ouvi falar de barganha'', declarou Severino, depois de conversar durante quase uma hora e meia com o ministro da Fazenda.
Palocci prometeu liberar as verbas em conversa com os líderes aliados quinta-feira, no Palácio do Planalto. (E.L.)

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