Brasília - O presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), deverá renunciar a seu mandato. Em reunião ontem à noite com aliados, ele analisava a hipótese de renúncia dupla à presidência da Câmara e ao mandato. Severino estava, no entanto, preocupado com as consequências desse caminho: a perda de foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF) para responder às acusações de recebimento de propina. A decisão deverá ser oficializada amanhã ou, no máximo, na quarta-feira em um discurso no plenário da Câmara.
''A hipótese de ele pedir uma licença do cargo está afastada'', garantiu o deputado Feu Rosa (PP-ES), depois de se reunir com Severino. ''Não vejo razão para ele pedir licença. Ele mesmo disse que está muito bem de saúde'', reforçou José Eduardo Alckmin, advogado do presidente da Câmara.
A maior preocupação de Severino com a renúncia dupla era a perda do foro privilegiado no Supremo para responder às acusações feitas pelo empresário Sebastião Buani, que alega ter pago propina ao presidente da Câmara para renovação da concessão de restaurante da Casa o chamado mensalinho. Caso renuncie ao mandato, Severino passa a responder o inquérito na Justiça na primeira instância. Por isso, o presidente da Câmara não havia descartado totalmente a hipótese de apenas deixar o comando da Casa e se defender das denúncias como parlamentar.
Severino passou o dia aconselhando-se com seus aliados sobre o seu futuro político. Dedicou-se também a negociar com interlocutores do governo o candidato à sua sucessão. A expectativa é de que Severino se reúna hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro não será, no entanto, reservado. Lula também já avisou que não pretende dar nenhum conselho sobre a permanência ou não de Severino no Congresso.

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