Brasília - A eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE) para presidir a Câmara pelos próximos dois anos deixou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva totalmente vulnerável na aprovação de projetos de seu interesse no plenário da Casa. Com 74 anos, um marcapasso e diabético, Severino não tem paciência para presidir as longas e tumultuadas sessões para votar propostas polêmicas e acaba delegando o comando para o pefelista e ex-líder da minoria, José Thomaz Nonô (AL), primeiro vice-presidente da Câmara.
Ao contrário de seus antecessores, que eram totalmente afinados com o Planalto e comandavam as votações de interesse do governo com mão de ferro, Severino Cavalcanti não presidiu nenhuma sessão controversa, desde que assumiu a presidência da Câmara, há um mês. Foi assim na votação da Lei de Biossegurança e na última quarta-feira, quando o governo tentou votar emenda à Constituição que altera a reforma da Previdência - conhecida como PEC paralela.
''Sou presidente da Casa e não de sessão'', argumenta Severino, que deixou o comando de ambas as sessões a cargo de Nonô. ''Pelo perfil do presidente Severino está claro que o Nonô é quem vai comandar as sessões mais complicadas da Câmara'', observa o líder do PSB, Renato Casagrande (ES).
Elogiado pela sua atuação no comando da sessão que aprovou a Biosssegurança, Nonô transformou-se em alvo de críticas por sua performance à frente da votação da PEC paralela. Os aliados acusam o pefelista de agir com ''parcialidade'' ao ter encerrado abruptamente a votação da emenda à Constituição, antes de ser atingido o quorum de 308 deputados. ''Faltavam sete deputados para atingir o quorum mínimo e ele (Nonô) encerrou a sessão. Não foi uma medida saudável'', reclama o vice-líder do governo na Câmara, Beto Albuquerque (RS). ''O Nonô se desgastou com essa decisão'', reforça o deputado Maurício Rands (PT-PE).

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