BRASÍLIA - O novo presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), 74 anos, defendeu ontem a prorrogação do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para seis anos, sem direito à reeleição, disse que os deputados precisam ser melhor tratados pelos ministros, reafirmou sua posição contra a descriminalização do aborto e contra a união homossexual e disse que vai acabar com essa história de ''baixo clero''.
Foi a primeira entrevista organizada pelos assessores depois da posse. Antes, ele só havia falado informalmente com os jornalistas. Em cerca de 30 minutos, Severino respondeu a 15 perguntas nos estúdios da TV Câmara e chegou a se exaltar em alguns momentos.
Em sua primeira resposta, ele reafirmou sua intenção de aumentar o salário dos deputados o mais rápido possível. ''Farei imediatamente (a equiparação dos salários com os de ministros do Supremo, o que os elevaria de R$ 12.847 para R$ 21.500). Não tenho o que relutar, porque tenho que cumprir a Constituição do país. Peço que os deputados que estão combatendo isso façam uma carta dizendo que não vão querer a equivalência para os salários deles.''
Sobre a questão da prorrogação do mandato, segundo ele, o objetivo seria fazer a coincidência das eleições para presidente, governador, senador e deputados com a de prefeitos e vereadores, que ocorrem hoje em um intervalo de dois em dois anos. Para isso, seria necessária uma emenda constitucional.
Severino também fez acenos ao Planalto, na entrevista coletiva, prometendo não criar empecilhos ao governo. Mas fez uma ameaça velada: os deputados têm de ser mais bem tratados pelos ministros. Ele deu palpite na discussão da reforma ministerial, que poderia ajudar na aceleração do crescimento. ''Alguns ministros estão cansados.''
Apelidado de ''rei do baixo clero'', Severino prometeu ainda acabar com a distinção entre deputados ''de elite'' e os demais. Leia trechos da entrevista no quadro ao lado.

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