Severino admite se licenciar do cargo
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sexta-feira, 09 de setembro de 2005
Das agências 
Nova York - O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, antecipou o retorno ao Brasil e admitiu ontem a possibilidade de se licenciar do cargo para permitir as investigações sobre a denúncia de que teria recebido propina em troca da prorrogação do prazo de concessão ao restaurante Fiorella, na Câmara. Em entrevista no escritório da missão brasileira na ONU, Severino reafirmou que renúncia não é palavra do seu vocabulário. ''Vou conversar com os meus auxiliares em Brasília e eu quero que tudo seja examinado. Não aceito ser enforcado antes da hora'', disse.
O deputado reafirmou que é inocente e que não há provas que o incriminem. Severino negou que tenha assinado contrato com o dono do Fiorella, Sebastião Augusto de Buani, e desafiou o empresário a apresentar o cheque que lhe teria pago. Ele retornaria ainda ontem ao Brasil. Pela programação, ele voltaria hoje. Amanhã, ele deve dar entrevista coletiva para esclarecer o caso.
Severino, até então perseguido só pela imprensa brasileira, entrou ontem no circuito internacional durante a participação na II Conferência Mundial de Presidentes de Parlamentos. Um fotógrafo da Associated Press buscava ajuda para descobrir quem era o presidente dos deputados brasileiros no plenário da Assembléia Geral da ONU. Tinha a missão de fotografar Severino ''porque ele está envolvido num escândalo de corrupção'', disse.
Severino Cavalcanti falou a duas platéias distintas ontem, e no fórum no qual podia ser inquirido, não escapou do constrangimento ter de se defender das acusações sobre o ''mensalinho''. Foi pela manhã. Ele falou a empresários e grandes executivos numa reunião do Council of the Americas, onde não conseguiu evitar falar sobre a crise política. Em seu discurso inicial, segundo alguns presentes, Severino disse que as denúncias que recaem sobre o governo e o Congresso não afetaram a economia, defendeu a política econômica e afirmou que as investigações estão sendo feitas. ''As instituições funcionam normalmente, em clima de total liberdade e independência'', afirmou.
Quando o encontro foi aberto para perguntas dos participantes, Severino foi questionado diretamente sobre a denúncia de que teria cobrando ''mensalinho'' de Sebastião Buani. Negou as acusações e disse que, em 42 anos de vida pública, nunca respondeu a inquéritos. Na saída, executivos consideraram o encontro constrangedor, por conta das acusações que pesam contra o presidente da Câmara.
Depois, ele fez o discurso que motivou sua viagem, na Conferência Mundial de Presidentes de Parlamentos, realizada no plenário da Assembléia Geral da ONU. Diante de uma platéia dispersa e falando em português por cinco minutos, Severino se solidarizou com as famílias das vítimas do furacão Katrina, protestou contra o governo norte-americano por ter negado vistos a parlamentares de Cuba e do Irã e pintou um quadro positivo do Congresso Nacional brasileiro, sem fazer menção à crise política que paralisa as votações.
''Gostaria de expressar o mais veemente protesto e indignação pela decisão do governo dos Estados Unidos em recusar visto de entrada no país para duas delegações, de Cuba e do Irã, que viriam participar desse encontro'', disse Severino, no início de sua fala. Antes mesmo do discurso ele anunciara a disposição de ''falar grosso''. E aproveitou para fazer uma menção indireta à pressão para que deixe o cargo de presidente: ''Nunca falei fino. Os que falam fino é que não gostam de mim''.


