Severino acerta renúncia com Lula
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segunda-feira, 19 de setembro de 2005
Folhapress 
Brasília - O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), reuniu-se ontem no início da noite com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para comunicar que renunciará ao mandato de deputado federal amanhã. Lula recebeu Severino com a disposição de manter o ministro Márcio Fortes (Cidades), indicado pelo deputado na cota do PP. A respeito do filho de Severino, José Maurício Cavalcanti, que tem um cargo federal em Pernambuco, a tendência é mantê-lo pelo menos num primeiro momento. Seu futuro, porém, dependeria das pressões políticas para tirá-lo do posto.
O presidente da Infraero, o ex-deputado Carlos Wilson, hoje no PT, conversou no domingo com o ministro Jaques Wagner (Relações Institucionais), e foi como emissário do Planalto, ontem, conversar com Severino. Basicamente, foi estabelecer uma espécie de ''manual'' para a conversa com Lula, que não aceitou um encontro informal.
Entre as regras, a principal era discrição. Carlos Wilson, pernambucano como Severino, explicou ao conterrâneo que Lula não queria ser pressionado a apoiá-lo nem admitiria que a conversa enveredasse pelos cargos que o atual presidente da Câmara mantém no governo.
Conforme a reportagem apurou, o Planalto pretende manter Márcio Fortes no ministério na ''cota do PT'', alegando que ele tem bom conceito interno e que já era do governo antes de ser alçado ao cargo. O governo não deseja carimbar Fortes como apadrinhado de Severino, apesar de o presidente da Câmara ter sido decisivo na sua nomeação. O mesmo não ocorre com o filho de Severino, que tem um cargo no Ministério da Agricultura. Lula não vai retirá-lo imediatamente, mas também não quer assumir nenhum compromisso.
Em resumo, conforme a reportagem ouviu ontem, a intenção é manter José Maurício num primeiro momento, mas já sabendo que devem começar imediatamente as pressões dos aliados do PP, do PTB, do PL e talvez até do PT. Trata-se, portanto, de uma questão em aberto - e de tempo.
Outros acertos prévios para a conversa Lula-Severino: o deputado não deveria pedir o que o presidente não poderia lhe dar, caso de um apoio público, nem discutir nomes à sua sucessão. Lula quer ficar o mais longe possível da crise que, neste caso, é exclusiva da Câmara. Nem quer se vincular com Severino, nem quer mergulhar ostensivamente nas articulações para sucedê-lo. O Planalto tem candidato e atua, mas, quanto mais por trás dos panos, melhor para Lula.
Desde a semana passada, interlocutores de Severino passaram a sondar o Palácio do Planalto sobre a possibilidade de um encontro do presidente da Câmara com Lula.
O deputado João Caldas (PL-AL), que esteve ontem com o presidente da Câmara, disse que o discurso-despedida de Severino não deverá fazer ataques contra o governo, mas servirá como prestação de contas de sua passagem-relâmpago (de sete meses) pela presidência da instituição.


