Setores do governo tentam desqualificar advogado
Setores do governo deixaram vazar ontem informações sobre o advogado criminalista Peter Amaro de Sousa, numa tentativa de desqualificá-lo. Documentos encaminhados à Folha mostram que Sousa defende funcionários públicos ligados ao Palácio Iguaçu. Entre eles, pilotos da Seção de Transporte Aéreo (STA) do governo do Estado que teriam segunda denúncia que está sendo investigada pela Comissão de Processo Administrativo Disciplinar designada pela Casa Civil superfaturado valores em notas de despesas de hotel e alimentação.
Um dos acusados é o piloto de aeronave João Carlos de Souza Vítola, que em depoimento disse não ter conhecimento de superfaturamento de notas. No processo, aparecem indícios de irregularidades. Entre os indícios citados está o fato de que os valores das notas fiscais da Lanchonete Radar de São Paulo não conferirem com os valores apresentados em notas da mesma empresa para o Palácio Iguaçu.
A irregularidade teria sido detectada entre 1991 e 1994, quando o coronel Gilberto Foltran (hoje subcomandante da Polícia Militar e Chefe do Estado Maior) era subchefe da Casa Militar. Existem indícios de que houve mesmo superfaturamento das notas fiscais. Mandei instaurar um procedimento após detectar que os valores nas notas eram muito altos, declarou o coronel, ao ser procurado pela reportagem. Foltran vai ser ouvido hoje a respeito do caso, às 15 horas, na Procuradoria Geral do Estado (PGE).
No rol de testemunhas do piloto defendido pelo advogado está o piloto Frank Amaro de Sousa, da Seção de Transporte Aéreo e irmão de Peter Sousa. Em depoimento prestado, Frank disse que os pilotos não conferiam as duas vias da nota fiscal. Ele acredita que se houve alteração na nota, isto foi praticado pelo funcionário do estabelecimento comercial com o propósito de sonegar impostos.
O advogado criminalista Peter Amaro de Sousa não negou que defende outros funcionários públicos estaduais. Ele disse que foi por meio deles que ficou sabendo sobre o caso do cabo Luiz Antonio Jordão e do soldado Afrânio de Sá. (L.P.)





