São Paulo - As sessões decisórias do processo de impeachment de Dilma Rousseff no Senado e na Câmara duraram um total de 178 horas e 55 minutos ou sete dias e quase 11 horas.
A sessão mais longa de todo o processo foi a última do julgamento no Senado, que teve o comando do presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski.
Após 73 horas e 44 minutos de sessão, Dilma perdeu o cargo de presidente por 61 votos a 20.
Aberta às 9h33 da manhã de quinta (25), a sessão foi retomada de sexta (26) a quarta (31), dia da votação final. Só não houve sessão no domingo (28).
Durante esses dias, foram ouvidas testemunhas, defesa e acusação apresentaram suas manifestações finais, senadores declararam seus votos, e houve ainda o discurso e o interrogatório de Dilma, ocorridos na segunda (29).
A segunda sessão mais longa se deu no plenário da Câmara, entre 15 e 17 de abril, quando os deputados levaram 52 horas e 21 minutos para autorizar, por 367 votos a 137, que o pedido de impeachment fosse levado ao Senado.
Desse período, 42 horas e 31 minutos foram de sessão praticamente ininterrupta, com discursos de quase 120 deputados.
O tempo de debate quebrou o então recorde da Casa, registrado na votação da MP dos Portos, em 2013, quando deputados permaneceram 36 horas e 35 minutos deliberando a matéria.
No Senado, houve ainda duas sessões plenárias de longa duração sobre o impeachment. Em 12 de maio, após 20 horas e 38 minutos, 55 senadores votaram a favor da admissibilidade do processo e 22 foram contrários.
O resultado que afastou Dilma da Presidência da República foi conhecido por volta das 6h30 da manhã do dia 12 a sessão havia começado às 10h da manhã do dia anterior.
No último dia 10, os senadores decidiram levar Dilma a julgamento por 59 votos a 21. Foram 16 horas e 51 minutos de sessão, iniciada na manhã do dia 9.
COMISSÕES
A primeira reunião de parlamentares para votar o andamento do impeachment foi no dia 11 de abril, quando a comissão especial criada na Câmara aprovou parecer favorável ao processo. Os 65 deputados estiveram reunidos por 9 horas e 46 minutos.
Houve ainda duas sessões decisórias sobre o impeachment na comissão especial do Senado, com cerca de 2 horas e 50 minutos cada.
De acordo com o senador Raimundo Lira (PMDB-PB), que presidiu a comissão especial na Casa, foram mais de 200 horas de trabalho em 31 reuniões.
Já o deputado Rogério Rosso (PSD-DF), presidente da comissão na Câmara, informou que os deputados estiveram reunidos por mais de 40 horas em 11 encontros.
RELEMBRE A TRAMITAÇÃO DO IMPEACHMENT
1. Pedido
É preciso apontar crime de responsabilidade do presidente. Cabe ao presidente da Câmara aceitar ou não o pedido de impeachment
2.dez.15
O então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aceita o pedido entregue em outubro que aponta as pedaladas e a liberação de créditos suplementares como crimes de responsabilidade
2. Comissão especial - Câmara
Grupo de deputados indicados pelos líderes partidários analisam o pedido
17.mar.16
Comissão especial com 65 deputados é formada. Jovair Arantes (PRB-GO) é escolhido relator
3. Relatório da comissão de deputados
Presidente tem dez sessões da Câmara para apresentar defesa, e comissão tem mais cinco sessões para aprovar um parecer
11.abr.16
Comissão de deputados aprova, por 38 a 27, relatório favorável à abertura do processo de impeachment. Peça diz haver graves indícios de cometimento de crime de responsabilidade
4. Aval da Câmara
Relatório é submetido à decisão do plenário da Câmara; processo de impeachment é autorizado pela Câmara e segue para o Senado se obtiver o apoio de 342 de 513 deputados
17.abr.16
Em um domingo, 367 deputados votam sim ao impeachment; 137 votam não. Há ainda sete abstenções e duas ausências
5. Comissão especial - Senado
Assim como na Câmara, comissão especial de senadores é montada para analisar o impeachment
25.abr.16
Senado escolhe 21 senadores para a comissão; Antonio Anastasia (PMDB-MG) é escolhido relator no dia seguinte
6. Relatório da comissão de senadores
Grupo de senadores tem até dez dias úteis para apresentar parecer que admite ou não o processo de impeachment
6.mai.16
Comissão aprova por 15 votos a 5 parecer que aponta existência de elementos suficientes para que Dilma seja afastada e julgada por crime de responsabilidade
7. Admissibilidade
Cabe aos senadores, por maioria simples, abrir o processo de impeachment e afastar a presidente para que seja julgada
12.mai.16
Votos favoráveis ao impeachment somam 55; 22 são contra. Dilma é afastada do cargo por até 180 dias, e Temer assume como presidente interino
8. A volta da comissão especial - Senado
Comissão volta a se reunir para ouvir defesa, acusação, testemunhas e analisar documentos
4.ago.16
Por 14 votos a 5, grupo aprova relatório final a favor do impeachment. Foram 31 reuniões da comissão, com 44 testemunhas ouvidas
9. Juízo de pronúncia
Por maioria simples, senadores votam se a presidente vai a julgamento por crime de responsabilidade
10.ago.16
Senado decide por 59 votos a 21 que Dilma deve ser levada a julgamento; sessão foi comandada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski
10. Julgamento final
Após defesa e acusação apresentarem um resumo de todo o processo, presidente do Supremo marca a data do julgamento
de 25.ago.16 a 31.ago.16
Ricardo Lewandowski comanda julgamento final, que cassa o mandato de Dilma por 61 votos a 20

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