Sessões extras custam R$ 40 mi
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de fevereiro de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - O Congresso encerra hoje o período de convocação extraordinária num clima de euforia dos governistas e críticas da oposição. Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, esta foi a convocação mais lucrativa para o presidente, que obteve a aprovação em primeiro turno da emenda da reeleição, a aprovação do Orçamento de 1997 e a escolha de dois aliados na troca do comando da Câmara e Senado. Para o contribuinte, porém, contabilizados os gastos com horas extras de deputados e servidores, o preço foi salgado: R$ 40 milhões.
A produção da Câmara durante o período de convocação extraordinária (30 dias) foi mínima, mas atendeu ao objetivo específico do governo. No dia 28, a proposta constitucional número um do governo Fernando Henrique, que dá o direito de reeleição ao presidente da República, governadores e prefeitos, foi aprovada com o apoio de 336 dos 513 deputados.
No dia seguinte, o Congresso reunido aprovou a lei orçamentária de 1997. Mas a pauta que justificou a convocação extraordinária tinha mais de 60 projetos de lei, além de reformas constitucionais, acordos e tratados, além de 58 Medidas Provisórias em tramitação. As reformas previdenciária, administrativa, tributária e do Judiciário não deram um passo. Cada um dos 513 deputados e 81 senadores receberam o valor bruto de R$ 32 mil. São R$ 8 mil de salário normal, R$ 8 mil de ajuda de custo pelos deslocamentos que eles farão de seus Estados para Brasília e R$ 16 mil pelas horas extras.


