Pedro Livoratti
Da Londrina
Terminou em tumulto e agressão a sessão de ontem da Câmara de Vereadores de Londrina, que decidiria pela formação de uma Comissão Processante para cassar o mandato do prefeito Antonio Belinati (PFL), devido as denúncias apresentadas por entidades relacionadas ao escândalo Ama-Comurb. A confusão aconteceu pouco depois das 21 horas, quando o presidente da Casa, Renato Araújo (PPB), decidiu encerrar os trabalhos alegando falta de segurança.
Araújo acusou o advogado Rui Marçal Carneiro e outros membros da subseção de Londrina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de invadirem uma sala onde cerca oito vereadores se reuniam, durante um período de suspensão dos trabalhos. Araújo disse que pretende apresentar hoje uma queixa formal à Polícia Civil contra os advogados. O pedido das entidades volta à pauta somente na próxima terça-feira.
O clima ficou ainda mais tenso após o final da sessão. Renato Araújo concedia entrevistas no plenário, quando teria sido xingado por um advogado, que não foi identificado. O presidente da Câmara reagiu e atirou uma agenda que tinha em mãos na direção do advogado. Foi preciso que os demais vereadores e alguns assessores da Câmara contivessem Araújo.
‘‘A presidência da Câmara foi desrespeitada’’, desabafou o presidente da Câmara. ‘‘Não vou aceitar isso. É invasão de privacidade’’, acrescentou Araújo, que afirmou ter sido xingado de ‘‘vagabundo’’. O presidente da Câmara adiantou que para a sessão de terça-feira vai requerer, em juízo, que os trabalhos sejam realizados sem a presença de público nas galerias. A sessão, que acabou não definindo a instalação da Comissão Processante, durou mais de sete horas e foi acompanhada por mais de 200 pessoas que lotaram as galerias para pressionar os vereadores.
Durante todo o tempo os manifestantes, divididos em grupos contra e a favor do prefeito, gritaram palavras de ordem e vaiaram os vereadores que manifestaram posição contrárias as partes. Além dos populares, a sessão foi acompanhada também por representantes de entidades, secretários municipais, representantes de partidos políticos e dois deputados estaduais.
O advogado Ruy Carneiro afirmou que, acompanhado de outros colegas da OAB, se dirigiu à sala de reuniões para cobrar a presença dos vereadores em plenário e evitar o encerramento da sessão. Por volta das 21 horas, quando os trabalhos foram retomados após um período de suspensão, cerca de oito vereadores ocupavam o plenário, quórum insuficiente para a retomada dos trabalhos que exige a presença de pelo menos 11 vereadores.
Ruy Carneiro negou que tivesse invadido a sala de reuniões. Segundo ele, o filho do vereador Antenor Ribeiro (PPB), Antenor Ribeiro Neto, teria empurrado a porta contra os advogados. Membros da OAB tinham uma reunião ontem à noite na sede da entidade para definir o que fariam contra a suposta agressão.
A briga que motivou o fim da sessão provocou reação imediata na oposição, que interpretou o tumulto e as agressões como manobra para adiar a votação da Comissão Processante. O presidente da OAB, Lauro Zanetti, que assinou o pedido de formação da comissão processante, lamentou os fatos que culminaram com o adiamento da votação. ‘‘Não vi exatamente os fatos, mas talvez o grupo do prefeito tenha influenciado’’, afirmou ele sobre a decisão do presidente.Presidente da Câmara de Londrina alegou falta de segurança e adiou para terça-feira a decisão de criar Comissão Processante
Mario CésarHORAS DE TENSÃORenato Araújo é cercado por policiais que fizeram a segurança da sessão: agenda atirada contra advogado

mockup