Sessão foi precedida por briga entre deputados e seguranças
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quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Denise Madueño e Christiane Samarco<br>Agência Estado 
Brasília - Deputados atacados por segurança, cenas de pugilismo, luta corporal, xingamentos, tudo transmitido ao vivo por emissoras de rádio e TV. Foi assim que começou o julgamento do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), diante da decisão judicial do Supremo Tribunal Federal (STF) que garantiu a presença de deputados na sessão secreta em que o plenário da Casa votou o pedido de cassação do mandato do senador alagoano.
Os deputados Raul Jungmann (PPS-PE) e Fernando Gabeira (PV-RJ) entraram em confronto direto com seguranças quando tentaram entrar no plenário, depois do sinal verde do presidente da sessão, senador Tião Viana (PT-AC). Um dos seguranças, enquanto trocava sopapos com Jungmann, deixou uma arma cair no chão a poucos metros da entrada do plenário. A arma de choque não letal, uma Taser, quando atinge o alvo, provoca uma descarga de 50 mil volts, derrubando o alvo.
Segundo os seguranças, não houve intenção de atirar no deputado. Se tivesse sido atingido, no entanto, Jungmann teria caído, sofrido um pequeno desmaio, perdido a coordenação motora e a força física por alguns instantes, tempo suficiente para ser imobilizado. Não foi. Dedo em riste e aos palavrões, o deputado avançou sobre o segurança.
No meio da confusão, Gabeira, fisicamente mais franzino do que o colega pernambucano, foi jogado contra a porta de vidro que dá acesso ao plenário. Na tentativa de se defender, aos safanões, acabou atingindo o rosto do senador Tião Viana. ''Inadvertidamente eu dei um soco no presidente Tião, mas já nos beijamos'', contou mais tarde o próprio Gabeira, que se desculpou com o petista e foi perdoado.
O empurra-empurra fez a deputada Luciana Genro (PSOL-RS) perder o cartaz que pretendia exibir no plenário em sinal de protesto. ''Sessão secreta é a negação do parlamento'' era a frase escrita na cartolina que sumiu depois que ela levou um chute que lhe cortou o calcanhar. ''Se houve quebra de decoro nesse episódio, foi por parte dos seguranças, porque nós estávamos autorizados a entrar no plenário.''
As agressões aos deputados levaram o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), a fazer um protesto público. Ele considerou o fato ''inadmissível e inaceitável'' e cobrou providências de Tião Viana. Chinaglia disse que ninguém pode sofrer violência no Congresso e que, se fosse com senadores na Câmara, ele teria aberto uma investigação rigorosa imediatamente.
Precavido, o segurança que deixou cair sua Taser procurou o Instituto de Medicina Legal (IML) para fazer um exame de corpo de delito e mostrar que também ele saíra ferido do confronto. Dois outros seguranças da presidência do Senado também acabaram no serviço médico da Casa, fazendo curativo em ferimentos na canela.


