Curitiba - A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Terra criada em março de 2004 com objetivo de fazer um diagnóstico da questão fundiária no País espera conseguir mais informações sobre a atuação de milícias armadas no Paraná. Está marcada, em princípio, para a próxima quarta-feira, dia 27, em Brasília (DF), uma nova sessão para ouvir o depoimento do superintendente da Polícia Federal (PF), Jaber Makul Hanna Saadi, e do tenente-coronel, Valdir Copetti Neves, preso sob suspeita de chefiar um grupo armado que atuaria contra os sem-terra.
Na tumultuada sessão pública da CPMI realizada anteontem, no Plenarinho da Assembléia Legislativa, em Curitiba, ambos se furtaram de responder a várias perguntas dos parlamentares, alegando que o processo tramita em segredo de Justiça. Saadi foi questionado sobre as investigações que levaram à prisão oito pessoas, entre elas Neves, na operação batizada ''Março Branco''. O oficial foi questionado sobre as acusações de formação de quadrilha, tráfico internacional de armas e violação aos direitos humanos em ações de desocupação.
A expectativa do presidente da CPMI, senador Alvaro Dias, é de que até a próxima reunião a juíza da 1 Vara Federal de Ponta Grossa, Silvia Regina Salau Brollo, considere seu pedido de quebra de sigilo do inquérito. Mesmo assim, Neves estará amparado no direito constitucional de ficar em silêncio. ''Houve um compromisso dele (Neves) de que em reunião reservada ele falaria'', disse o senador.
Também está previsto o depoimento do secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, na reunião de quarta-feira. Neves fez sérias denúncias envolvendo Delazari e o secretário de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann. A convocação de Padre Roque ainda não foi votada. A participação de Delazari já havia sido aprovada.
Os dossiês entregues por Neves à CPMI, segundo Alvaro Dias, serão repassados ao Ministério Público (MP) federal.

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