Sessão da CPI da Petrobras termina com gritaria
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Das Agências 
Brasília - A reunião da CPI da Petrobras ontem terminou em gritaria e acusações da oposição depois que a sessão foi encerrada sem que novos depoentes tivessem sido convocados. Parlamentares do DEM e do PSDB queriam aproveitar o quórum presente após audiência com gerente de contratos da Petrobras, Edmar Figueiredo, para aprovar novas convocações de pessoas a serem ouvidas pela comissão. Eles nem chegaram a fazer perguntas a Figueiredo, argumentando que ele não participava dos processos decisórios da estatal. Os opositores pediram a Vital do Rêgo (PMDB), presidente da comissão, para pôr em votação um requerimento determinando a abertura de uma reunião extraordinária imediatamente após a oitiva de Figueiredo.
Como já se iniciava sessão plenária do Senado, Vital encerrou a reunião, argumentando que as comissões, inclusive CPIs, não podem realizar votações enquanto houver votação no plenário da Casa. A oposição tentou ainda solicitar que sessão da CPI fosse apenas suspensa, para que os trabalhos fossem retomados após a sessão plenária. Vital não cedeu e se retirou da sala. Os deputados Julio Delgado (PSB-MG), Rubens Bueno (PPS-PA) e Onyx Lorenzoni (DEM-RS) levantaram-se e, extremamente irritados, aos gritos, acusaram o presidente da CPI de desrespeitá-los. Os protestos acalorados continuaram fora da sala.
O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Augusto Nardes, disse ontem que as apurações de irregularidades na Petrobras são "o maior escândalo da história do TCU". Nardes afirmou em entrevista coletiva que os desvios apurados pelo órgão já passam do R$ 3 bilhões em diversos contratos assinados pela companhia petrolífera estatal para a aquisição de empresas, bens ou a construção de novas unidades.
O valor inclui o prejuízo apurado na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, e em empreendimentos como o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e as refinarias Abreu e Lima; em Pernambuco; Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro; e Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná.
Segundo Nardes, que está deixando a presidência do órgão em dezembro, ele pessoalmente avisou ao governo sobre os desvios apurados pelo órgão há alguns anos, mas os alertas do órgão não foram ouvidos. Segundo Nardes, ele informou os problemas à ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann. Além disso, as conclusões dos relatórios de auditoria também foram mandadas para outros órgãos de controle.
alertas de irregularidades
foram ignorados


