Curitiba - A estimativa inicial não se concretizou e o número de manifestantes dos atos pró e contra o ex-presidente Lula, entre terça-feira (9) e esta quarta-feira (10), deve ficar aquém do esperado, segundo o secretário de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita. A expectativa era de que 300 ônibus e 20 mil pessoas se deslocassem a Curitiba para acompanhar a audiência do petista no âmbito da Lava Jato. Porém, o número deve ficar em até 100 ônibus e 4 mil pessoas, de acordo com Mesquita.
As informações foram nesta terça-feira (9) dadas à imprensa durante coletiva de órgãos de segurança que atuarão na capital para garantir que as manifestações programadas entre ontem e hoje sejam pacíficas. A operação foi batizada de "Civitas".
Por questão de segurança, não foi detalhado o número de policiais que participarão da operação. Segundo Mesquita, o efetivo é "adequado, preparado e suficiente".
"A operação já começou, as primeiras equipes estão atuando", disse Mesquita. "Não temos parâmetros para dizer se esse é o maior evento [em termos de mobilização das forças policiais], mas estamos encarando como o mais importante."
Cinco helicópteros darão apoio ao trabalho policial e o Centro Integrado de Comando e Controle (sala de controle com câmeras de segurança inaugurada para a Copa do Mundo) foi acionado.

GRADE

O perímetro de 150 metros no entorno da Justiça Federal, no bairro Ahú, em Curitiba, receberá uma cerca para evitar o acesso de pessoas. A estrutura começaria a ser erguida às 19h de ontem.
A partir das 23h, só poderão passar pelo local as cerca de 8 mil pessoas que moram ou trabalham na região e que foram credenciadas pela Polícia Militar (PM).
A medida é para evitar que grupos apoiadores ou contrários ao ex-presidente tumultuem a audiência, que começa às 14h desta quarta. Além da grade, haverá pontos de bloqueio realizados pela PM em ruas da região.

ÔNIBUS

Os cerca de 20 ônibus que já chegaram à capital até a tarde desta terça estão sendo vistoriados. Em alguns deles, ligados ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), foram encontradas armas brancas como foices e facões. O material foi apreendido.
Apesar da liminar expedida pela Justiça na segunda-feira (8) que proíbe acampamentos em ruas e praças de Curitiba, manifestantes estavam se instalando em um terreno localizado atrás da Rodoferroviária – após acordo com a prefeitura de Curitiba – nesta terça.
O terreno é de posse da União e é compartilhada com a empresa ALL, que entrou com pedido de reintegração de posse. No início da noite desta terça, a 1ª Vara Federal de Curitiba determinou a reintegração do terreno à ALL, mas permitiu que os sem-terra fiquem no local até a manhã desta quinta-feira (11).
O local também está sendo utilizado como estacionamento dos ônibus dos manifestantes, que chegam ao local escoltados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e em comboios.

PROTESTOS

Na coletiva, Mesquita afirmou que a Sesp vai acompanhar as manifestações que foram informadas pelas lideranças dos movimentos. Na manhã desta terça, houve um protesto de trabalhadores sem-terra em Campo Largo, que transcorreu com tranquilidade.


No fim da tarde haveria uma caminhada de apoiadores do ex-presidente, saindo do terreno do acampamento até a praça Tiradentes, no Centro. Mais tarde, haveria uma vigília de manifestantes a favor da Lava Jato.

ESCOLTA

Lula não solicitou, até o momento, escolta de policias do estado para o deslocamento até o prédio da Justiça Federal. Nem a ex-presidente Dilma Rousseff, que deve chegar à capital por volta das 10h30 de amanhã. Ambos têm acompanhamento de policiais de Brasília pela condição de ex-presidentes.

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