Sesp reduz estimativa de público em atos pró-Lula e pró-Lava Jato
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de maio de 2017
Amanda Audi<br>Especial para a FOLHA 

Curitiba - A estimativa inicial não se concretizou e o número de manifestantes dos atos pró e contra o ex-presidente Lula, entre terça-feira (9) e esta quarta-feira (10), deve ficar aquém do esperado, segundo o secretário de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita. A expectativa era de que 300 ônibus e 20 mil pessoas se deslocassem a Curitiba para acompanhar a audiência do petista no âmbito da Lava Jato. Porém, o número deve ficar em até 100 ônibus e 4 mil pessoas, de acordo com Mesquita.
As informações foram nesta terça-feira (9) dadas à imprensa durante coletiva de órgãos de segurança que atuarão na capital para garantir que as manifestações programadas entre ontem e hoje sejam pacíficas. A operação foi batizada de "Civitas".
Por questão de segurança, não foi detalhado o número de policiais que participarão da operação. Segundo Mesquita, o efetivo é "adequado, preparado e suficiente".
"A operação já começou, as primeiras equipes estão atuando", disse Mesquita. "Não temos parâmetros para dizer se esse é o maior evento [em termos de mobilização das forças policiais], mas estamos encarando como o mais importante."
Cinco helicópteros darão apoio ao trabalho policial e o Centro Integrado de Comando e Controle (sala de controle com câmeras de segurança inaugurada para a Copa do Mundo) foi acionado.
GRADE
O perímetro de 150 metros no entorno da Justiça Federal, no bairro Ahú, em Curitiba, receberá uma cerca para evitar o acesso de pessoas. A estrutura começaria a ser erguida às 19h de ontem.
A partir das 23h, só poderão passar pelo local as cerca de 8 mil pessoas que moram ou trabalham na região e que foram credenciadas pela Polícia Militar (PM).
A medida é para evitar que grupos apoiadores ou contrários ao ex-presidente tumultuem a audiência, que começa às 14h desta quarta. Além da grade, haverá pontos de bloqueio realizados pela PM em ruas da região.
ÔNIBUS
Os cerca de 20 ônibus que já chegaram à capital até a tarde desta terça estão sendo vistoriados. Em alguns deles, ligados ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), foram encontradas armas brancas como foices e facões. O material foi apreendido.
Apesar da liminar expedida pela Justiça na segunda-feira (8) que proíbe acampamentos em ruas e praças de Curitiba, manifestantes estavam se instalando em um terreno localizado atrás da Rodoferroviária após acordo com a prefeitura de Curitiba nesta terça.
O terreno é de posse da União e é compartilhada com a empresa ALL, que entrou com pedido de reintegração de posse. No início da noite desta terça, a 1ª Vara Federal de Curitiba determinou a reintegração do terreno à ALL, mas permitiu que os sem-terra fiquem no local até a manhã desta quinta-feira (11).
O local também está sendo utilizado como estacionamento dos ônibus dos manifestantes, que chegam ao local escoltados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e em comboios.
Na coletiva, Mesquita afirmou que a Sesp vai acompanhar as manifestações que foram informadas pelas lideranças dos movimentos. Na manhã desta terça, houve um protesto de trabalhadores sem-terra em Campo Largo, que transcorreu com tranquilidade.
ESCOLTA
Lula não havia solicitado, até o fechamento desta edição, escolta de policiais do Estado para o deslocamento até o prédio da Justiça Federal. Nem a ex-presidente Dilma Rousseff, que deve chegar à capital por volta das 10h30 desta quarta-feira. Ambos têm acompanhamento de policiais de Brasília pela condição de ex-presidentes.
Militância sai às ruas da capital

Curitiba - Escoltados por viaturas da Polícia Militar, manifestantes que apoiam o ex-presidente Lula saíram em caminhada pelas ruas de Curitiba pouco antes das 19h desta terça-feira (9), véspera da audiência do petista na Justiça Federal. Eles saíram do acampamento improvisado nos fundos da rodoferroviaria de Curitiba e caminharam até a Praça Tiradentes, onde chegaram por volta das 20h e realizaram um ato ecumênico.
Segundo os organizadores, 5 mil pessoas participaram do protesto. Para a Guarda Municipal, eram 400 pessoas.
João Pedro Stedile, coordenador nacional do Movimento Sem Terra (MST), participou do ato em Curitiba. Ele diz que os manifestantes vão aguardar a audiência, que começa às 14h desta quarta-feira (10), na praça Santos Andrade. "Esperamos que o juiz Sérgio Moro volte atrás e libere a transmissão ao vivo da audiência. É a única maneira de ser uma audiência pública", afirmou.
Com gritos de "Fora Temer" e "Lula guerreiro do povo brasileiro", os manifestantes passaram por ruas da região central da capital. O trânsito nas adjacências foi controlado por agentes de trânsito da prefeitura. Houve formação de filas.
Maioria no protesto, os sem-terra estão acampando em um terreno de propriedade da União e compartilhado com a empresa ALL. No início da noite, a ALL conseguiu uma liminar na Justiça para reintegrar o terreno. A decisão estipula que a desocupação deve ocorrer até quinta-feira (11) pela manhã, após os atos programados para o dia da audiência.
Lula é esperado em um ato na praça Santos Andrade, em frente a UFPR, logo após a audiência. A defesa do ex-presidente não confirmou a participação.
Em frente à Justiça Federal, no bairro Ahu, manifestantes que apoiam a operação Lava Jato fizeram uma vigília. O ato acontece em várias cidades do país simultaneamente, segundo os organizadores.
O ato aconteceu poucas horas antes do isolamento total da área, que começaria às 23h. O perímetro será fechado para a circulação de carros e pedestres durante todo o dia da audiência, de modo a evitar conflitos. Só poderão entrar pessoas envolvidas na audiência e a imprensa.


