Curitiba - Com forte esquema de policiamento e monitoramento de redes sociais, a operação de segurança durante audiência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Curitiba, na última quarta-feira (10), registrou apenas duas ocorrências consideradas "menores" – ambas relacionadas a rojões. Um homem foi autuado após estourar um rojão em frente ao prédio da Justiça Federal às 15h do dia anterior à audiência. Segundo o secretário de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, o homem, que não teve o nome divulgado, já usava tornozeleira eletrônica e não era ligado a nenhum movimento.

A outra ocorrência ainda está sendo investigada. Um rojão estourou perto de uma barraca do acampamento do Movimento Sem Terra (MST). Ainda de acordo com o secretário, não foi possível afirmar se o estouro veio de dentro ou fora do acampamento e quem foi o autor.
Mesquita afirmou que agências de inteligência monitoraram as redes sociais de grupos extremistas que poderiam ir à Curitiba para causar tumultos.

"Foram veiculadas várias mensagens em redes sociais e aplicativos de comunicação de celular dizendo que haveria grupos que viriam a Curitiba para promover quebra-quebra, dano ao patrimônio, eventualmente até lesão corporal, e estariam planejando agir na cidade", disse o secretário durante coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (11).

Porém, logo depois, o secretário voltou atrás. À reportagem, afirmou que na realidade não foram encontradas mensagens que poderiam caracterizar ameaça à segurança pública. "Não falaram nada de vir [a Curitiba], tanto é que não vieram", comentou.

O efetivo de 3 mil agentes da segurança pública, sendo 1,7 mil policiais militares, foi considerado "adequado" por Mesquita. Ele lembrou que o planejamento levando em conta a presença de 60 mil manifestantes na cidade – apesar de no dia terem vindo, efetivamente, cerca de 6 mil pessoas.

O custo total da operação não foi divulgado. As contas ainda não foram fechadas, conforme Mesquita, que considera o gasto um "investimento" e não quis dar projeções. "Investimento em efetivo, equipamentos, planejamento e negociação", disse.

Visto como uma "final de Copa do Mundo" por manifestantes a favor e contra Lula, a audiência do ex-presidente era tida como um desafio para a segurança pública. O trabalho envolveu diversos órgãos municipais, estaduais e federais, além da negociação com representantes dos grupos de manifestantes.

Chegou-se a registrar ata em cartório das reuniões com os organizadores para o compromisso de que cada grupo se restringisse aos locais designados aos protestos. Favoráveis ao ex-presidente se concentraram na região da praça Santos Andrade, no Centro, e os contrários no Museu Oscar Niemeyer, no bairro Centro Cívico.

Não houve confronto entre os manifestantes, a exemplo do que aconteceu, por exemplo, na saída do ex-ministro José Dirceu da prisão - na qual houve enfrentamento entre pessoas com visões ideológicas diferentes. "Apesar de grande movimentação de pessoas com ideias antagônicas, todos puderam se manifestar de maneira ordeira", expressou Mesquita.

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