''Esperamos que até as 19 horas o prefeito saia de seu castelo encantado e se sensibilize com a situação.'' A frase foi dita na entrevista coletiva de ontem à tarde pelo presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv), Marcelo Urbaneja, na sede da entidade. No fim dia, a resposta do secretário municipal de Gestão Pública, Jacks Dias, veio simples e taxativa: ''Não tem nada a ver o que estão falando, eles não fizeram o dever de casa direito''.
A situação de confronto entre servidores e Prefeitura vem se arrastando há dias em declarações públicas quando o assunto é a reposição salarial de 21% e em decisões judiciais quando a questão é a implantação imediata do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). Hoje, a briga pode ser declarada de vez na assembléia em que a categoria vai votar um indicativo de greve, às 19 horas, na Supercreche (Área Central).
Urbaneja insiste na suposta omissão do prefeito Nedson Micheleti (PT) para se sentar com os servidores e apresentar uma proposta aos aspectos econômicos da pauta de 28 itens que compõe a campanha salarial deste ano. Na Câmara, anteontem, o prefeito insistiu que quem negocia é o secretariado. Também na ocasião, o petista reclamou de não ter tido acesso ao estudo encomendado pelo sindicato ao Dieese, segundo o qual o Executivo teria, sim, condições de pagar o reivindicado.
''É justamente para apresentar esses números que queríamos falar com ele, até porque não apresentaram nenhum cálculo até agora'', afirmou Urbaneja. Na coletiva de ontem, ele mostrou o estudo ao lado do economista Cid Cordeiro, supervisor técnico do Diesse, e frisou que a previsão orçamentária para 2005 chegou a ser aprovada pela Câmara em contraste com os argumentos da administração de que qualquer estimativa só pode ser feita depois de arrecadados impostos como o IPTU.
Segundo Cordeiro, a reposição da data base desde 2001 e a implantação do PCCS não fogem do estipulado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). ''Ela estabelece um limite de gastos de R$ 51,3% com pessoal. Com o reclamado, e ainda abaixo da estimativa de 20,5% de crescimento da receita, apenas 46,81% estariam comprometidos'', analisou. ''Com o incremento esperado da receita, poderiam atender, senão tudo, ao menos parte do que os servidores pedem'', concluiu o técnico do Dieese.
No artigo publicado hoje na página 2 da Folha, o secretário municipal de Fazenda, Wilson Sella, mostra que gastos com reposição só podem ser feitos depois de concluída a arrecadação, para evitar riscos no caso de ela diminuir. Além disso, Sella salientou que a previsção do orçamento representa não só a ''aposta no crescimento da economia'', como também na ''captação de recursos junto aos governos federal e estadual''. Jacks Dias bateu na mesma tecla, adiantando que a Prefeitura não vai apresentar proposta alguma hoje. ''Estão falando só em recursos próprios quando lembram da Lei de Responsabilidade. Se fôssemos usá-los, somente, sem verba de governo, ultrapassaríamos o estabelecido em lei'', argumentou.

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