Funcionários efetivos e comissionados dos mais diversos setores administrativos da Prefeitura de Londrina que não aderiram à greve estão improvisando as atividades em prédios fora da administração - públicos e privados -, em instalações, por vezes, inadequadas. A greve no funcionalismo completa hoje 17 dias e mantém fechado o prédio da Prefeitura.
A assessoria do prefeito Nedson Micheleti (PT) afirma desconhecer onde exatamente têm dado expediente secretários e outros servidores. Divulga apenas que estão sendo usados como locais de despacho as sedes da Sercomtel, do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Idel), da Companhia de Habitação (Cohab) e da Companha Municipal de Trânsitoe Urbanização (CMTU). Entretanto, a administração tem rebatido quase diariamente índices como os 90% de adesão ao movimento, no setor administrativo, utilizados desde o início pelo sindicato que representa a categoria, o Sindserv.
Ontem, a reportagem constatou pelo menos dois locais em que estão instaladas quatro pastas do Executivo. A primeira situação foi verificada no mezanino do prédio onde funciona o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon). Lá, um grupo de pelo menos 10 funcionários do órgão desempenha as tarefas em mesas emprestadas pelo sindicato, com microcomputadores próprios e da entidade. Ninguém se disse autorizado a falar sobre a mudança de ambiente.
Segundo o presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), Nelson Brandão, a entidade que divide o condomínio do prédio com o Sinduscon teria aceitado o pedido do Ippul para ceder o espaço como forma de agilizar os trabalhos em torno no Plano Diretor, confeccinado pela equipe do instituto. Questionado sobre a forma como serão ressarcidas as despesas com a transferência, Brandão minimizou o fato. ''Ainda não sei como vai ser tratado esse assunto, mas o gasto é muito pouco. Em compensação, nós temos interesse em acompanhar o novo plano, o que antes era feito lá na prefeitura. Agora, ficou muito mais próximo o contato'', definiu.
Na Fundação de Esportes de Londrina (FEL) desde que começou a greve, relatam funcionários do local, passaram equipes praticamente inteiras da Secretaria Municipal de Governo, da Procuradoria Jurídica do Município e da Controladoria-Geral. Em salas improvisadas, grupos de até seis servidores dividem mesas e a papelada especialmente os do setor jurídico.
O secretário municipal de Governo, Adalberto Pereira da Silva, explicou que os 12 efetivos e comissionados de sua equipe trabalham ali todos os dias, assinando lista de presença, mas com uma utilização que ele não considera a ideal dos profissionais. ''Tem várias horas em que eles se sentem ociosos, pois é evidente que o espaço e o número de equipamentos não são adequados à necessidade'', resumiu o secretário, que concedeu entrevista na sala do presidente da FEL, Marival Mazzio.
Mazzio, por sua vez, colocou o espaço à disposição ''a hora em que for preciso''. Se o aumento de funcionários ali atrapalha o andamento dos trabalhos do pessoal da Fundação? ''De forma alguma, pois há funcionários nossos nos Jogos da Juventude, em Pato Branco. Recebemos (o incremento) com contentamento'', finalizou.
Uma servidora da FEL que não quis se identificar, porém, reclamou que o trânsito de pessoas praticamente triplicou nos últimos dias. ''Dá até dó dos servidores, porque as condições de trabalho são difíceis. Mas para a gente é ruim, especialmente a nova demanda para usar o banheiro'', comentou.

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