Servidores tomam pátio da AL e governo recua de 'pacotaço'
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Mariana Franco Ramos <br> Reportagem Local 
Curitiba - Em um dia que entrará para a história da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, servidores públicos de diferentes categorias tomaram o pátio da Casa de Leis e conseguiram evitar a aprovação do pacote fiscal do governador Beto Richa (PSDB). Por volta das 15h30 de ontem, milhares de pessoas que se aglomeravam em frente à AL forçaram as grades do portão e correram em direção ao prédio administrativo. A situação levou o presidente da Casa, Ademar Traiano (PSDB), a encerrar a sessão. Mais tarde, a Casa Civil confirmou, por meio de ofício, a retirada de pauta das mensagens, "para reexame".
A Polícia Militar (PM) usou bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha para conter o protesto. Segundo balanço preliminar da corporação, pelo menos cinco policiais e seis manifestantes ficaram feridos, nenhum deles com gravidade. A assessoria de imprensa da PM não soube dizer se alguém precisou ser encaminhado ao pronto-socorro. Também de acordo com a PM, um senhor foi levado pelo Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) a um hospital da região, mas devido a uma crise de hipertensão.
Em nota assinada pelo diretor-geral da Casa Civil, Alexandre Teixeira, o Executivo justificou que tomou a atitude para "garantir a integridade física e a segurança das senhoras e dos senhores parlamentares". As matérias 6/2015 e 60/2015, que cortam gastos públicos e arrocham direitos trabalhistas, seriam votadas em regime de comissão geral, no restaurante da AL, uma vez que o plenário seguia ocupado desde às 18 horas de terça-feira. A oposição chegou a entrar com um mandado de segurança no Tribunal de Justiça (TJ), para impedir a votação via "tratoraço", no entanto, o pedido foi negado ontem.
A confusão começou pouco tempo depois de aproximadamente 20 membros da base aliada chegarem à Casa, às 14h30, em um camburão da tropa de choque da PM. Escoltados por agentes e pelo próprio secretário de Estado da Segurança, Fernando Francischini (SD), eles entraram na AL por um portão lateral. Em seguida, subiram até o quinto andar, onde fica o refeitório. Sob gritos de "vendido", os educadores e sindicalistas se revoltaram e começaram a forçar a entrada.
A plenária iniciou normalmente, mas foi interrompida cerca de uma hora depois, quando os deputados ouviram a primeira bomba. Traiano pediu que os oposicionistas contassem aos manifestantes que as mensagens só seriam votadas após o carnaval. Como ninguém arredou o pé do pátio, o tucano então optou por encerrar os trabalhos. "Precisamos ter o equilíbrio para tomar a decisão no momento certo", afirmou. Ele reiterou que não condena os professores, mas falou que, "no meio do movimento, havia pessoas sem responsabilidade, ligadas a partidos políticos". Já o líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), retirou o requerimento de comissão geral e se comprometeu a não acionar mais o "tratoraço" enquanto estiver no cargo.
Com o ofício da Casa Civil em mãos, Professor Lemos (PT), Tadeu Veneri (PT), Péricles de Mello, Nelson Luersen (PDT), Requião Filho (PMDB) e Ney Leprevost (PSD) ajudaram a intermediar o fim da ocupação. Ficou acordado que os membros da bancada governista sairiam do prédio sem qualquer resistência. "A expectativa agora é poder debater (o pacote) com mais gente. Um projeto que mexe com as vidas de milhares de pessoas não pode ser apresentado e votado em 24 horas", opinou Veneri.
De acordo com a professora Marlei Fernandes, secretária de finanças da APP-Sindicato, os docentes desocuparam o plenário por volta de 18h30. A greve da categoria, contudo, não tem data para acabar. "Terminamos as atividades lá (na AL) e estamos de volta ao acampamento, em frente ao Palácio Iguaçu. Vencemos a primeira batalha, mas temos vários outros pontos para discutir com o governo", disse. Os deputados, por sua vez, voltam a se reunir no dia 23 de fevereiro.


