Servidores são indiciados por formação de quadrilha
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quinta-feira, 29 de junho de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
A Polícia Civil de Maringá pediu ontem a prisão temporária de 12 grevistas envolvidos na invasão do prédio da prefeitura, na manhã da última quarta-feira. A medida foi apresentada à 1 Vara Criminal pelo delegado-chefe da 9 Subdivisão Policial, Antonio Brandão Neto, que listou o grupo de servidores em cinco crimes, entre os quais, os de formação de quadrilha e dano qualificado ao patrimônio público.
A ação da civil foi consequência de uma megaoperação que envolveu cerca de 250 policiais civis e militares, ontem de madrugada, pela reintegração de posse da área invadida. Centenas de grevistas ocuparam a antessala do gabinete do prefeito Sílvio Barros (PP), que não quis receber os manifestantes até que deixassem a área. Além do acirramento de ânimos entre funcionalismo e administração, o ato ainda deixou portas e janelas de vidro quebradas. No cumprimento da reintegração, 45 pessoas chegaram a ser levadas pelos policiais à delegacia para assinar um termo circunstanciado.
''Nós e a PM cumprimos a determinação para que a desocupação fosse feita; solicitamos a retirada, entre 1h30 e 2 horas, e das mais de 100 pessoas que havia lá 45 se recusaram e saíram pelas mãos da PM'', afirmou o delegado-chefe. De acordo com ele, os 12 pedidos de prisão que até ontem à noite ainda não haviam sido julgados pela justiça englobam crimes como exposição de saúde a situação de perigo; dano qualificado; atentado contra a liberdade de trabalho; paralisação de trabalho de interesse coletivo; e formação de bando ou quadrilha.
Apesar da ação que lotou a delegacia à noite, Brandão Neto admite que o pedido de prisão considerou fatos anteriores à invasão do prédio do Executivo. ''Foi com base nos fatos (de anteontem), em depoimentos de testemunhas que reconheceram invasores que depredaram o local e acontecimentos como a suspensão da coleta de lixo'', destacou o delegado, sem contudo declarar se os 12 indiciados são ou não do sindicato que representa a categoria, o Sismmar.
Junto à ação policial, outro baque no movimento iniciado no último dia 5 pode acontecer hoje com o desconto dos dias parados (de 5 a 20 de junho) na folha de pagamento de 1.713 grevistas - do total de 7,4 mil servidores. A garantia foi dada ontem pelo secretário municipal de Administração, Ademar Schiavone que até adiantou o destino dos R$ 620 mil economizados: ''Vão pagar serviços que precisamos contratar em função da greve, como a coleta de lixo''.
O advogado do Sismmar, Avanílson Alves de Araújo, negou qualquer ação de quadrilheiro por parte dos manifestantes e questionou a legalidade da reintegração, já que aconteceu de madrugada, ''e não no horário legal das 6 às 20 horas''. ''A greve é um direito constitucional que temos'', disse. Hoje, às 9 horas, o sindicato reúne o funcionalismo em nova assembléia que pode definir o recrudescimento da paralisação ou a continuação.


