GREVE/JUDICIÁRIO
Servidores resistem ao cerco da PM
Kraw PenasNo quarto dia de greve, manifestantes e PM voltaram a se enfrentarO quarto dia de greve dos servidores do Poder Judiciário foi marcado por tensão e truculência. Por ordem do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Sydney Zappa, a Polícia Militar do Paraná entrou novamente em campo para dispersar o QG do comando de greve, concentrado em frente ao Palácio da Justiça em Curitiba. O pivô do confronto entre servidores e policiais militares foi o caminhão de som dos manifestantes.
O comando do TJ não aguenta mais o barulho dos protestos e determinou que a PM retirasse à força, com um guincho, o caminhão cedido pelo Sindicato dos Petroleiros ao Sindicato dos Servidores do Judiciário (Sindijus). Um grupo de manifestantes sentou na frente do caminhão, na tentativa de impedir a retirada do caminhão de som. Nelson Silva Souza, do Sindicato dos Metalúrgicos, um dos sindicatos que dá apoio à paralisação, por pouco não foi atingido por um dos pneus do guincho. A Polícia estava disposta a remover na marra o caminhão. Mesmo sob a histeria e choro de diversos manifestantes.
O impasse durou cerca de 40 minutos, até que o comando do Tribunal recuaou da decisão. O desembargador Otávio Valeixo ajudou na intermediação com Zappa. O comando de greve não decidiu ainda até quando mantém a paralisação. A presidenta do Sindijus, Roseli Collucci, disse que hoje representantes do Sindicato, do TJ, do Poder Executivo e da Assembléia Legislativa devem iniciar uma negociação. A categoria reivindica reajuste de 53,06%, garantido por decisão judicial porém não repassado pelo governo do Estado.
Esse percentual representa a diferença de reajuste salarial concedido em 1992 ao Poder Executivo, mas que não foi repassada ao Poder Judiciário. O presidente do TJ repassa a responsabilidade pelo não pagamento para o Poder Executivo. Sydney Zappa disse ontem, através de sua assessoria, que a ação de execução ajuizada pelos servidores é contra o Executivo e não Judiciário. ‘‘O TJ não é órgão arrecadador. Só pode pagar aquilo que recebe’’. A Folha tentou contato com o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, mas não obteve retorno. (L.D.)

mockup