A transferência das secretarias de Estado que ocupam prédios no Centro Cívico de Curitiba para o Conglomerado Banestado, no Bairro Santa Cândida, não será tranquila. Pelo menos no que diz respeito aos servidores públicos, que não querem que o local de trabalho seja transferido alegando dificuldades de transporte e alimentação. Além disso, eles questionam a validade da mudança, já que o prédio poderá ser ocupado pelas secretarias sem custos apenas pelo período de 10 anos.
O imóvel onde funcionava o conglomerado Banestado não pertence mais ao governo do Estado. Ele foi vendido junto com o banco para o Itaú. De acordo com informações extra-oficiais do banco, o contrato de comodato tem duração de 10 anos em favor do governo do Paraná, podendo ser renovado pelo mesmo período. A direção do banco não fala oficialmente sobre o assunto.
De acordo com o secretário de Administração do Estado, Ricardo Smijtink, o comodato seria de 15 anos e não de 10. Depois desse prazo, o Estado terá que renegociar as condições de uso do espaço. Se não houver acordo, o governo voltará a pagar aluguel pela ocupação do conglomerado ou terá de se transferir para outros imóveis. De acordo com Smijtink, ainda não foram definidas quais secretarias passariam a funcionar no Bairro Santa Cândida e prazo para as mudanças.
Fonte extra-oficial do Itaú confirmou que dos sete blocos do conglomerado, apenas dois continuam sendo utilizados. São os blocos administrativo (que está com 30% de sua ocupação apenas) e do Centro de Processamento de Dados (CPD). O restante já poderia ser usado pelas secretarias. Desde o ano passado o Itaú vem cumprindo um cronograma de desocupação dos prédios do conglomerado. Apesar disso, a secretaria de Administração ainda não definiu o cronograma de ocupação do imóvel.
O objetivo da transferência de secretarias administrativas para Santa Cândida é que órgãos de atendimento ao público (atualmente em imóveis alugados em vários pontos da cidade) passassem a funcionar no Centro Cívico, gerando economia. São centenas de locações só em Curitiba para as administrações direta e indireta que deixariam de ser necessárias. De acordo com Smijtink, o comodato tem a função de dar a opção para o futuro governador de manter ou não as secretarias no conglomerado.
Para o coordenador executivo do Fórum das Entidades Sindicais dos Servidores Públicos do Paraná, Roberto de Andrade e Silva, o problema do comodato é que a economia pode ser temporária. Ele disse que os servidores são contra a transferência porque traria prejuízos aos funcionários e à população.

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