Os 70 funcionários do setor de saúde de Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina) só estão atendendo emergência. A decisão, tomada no final da semana passada, tem o objetivo de tentar forçar uma negociação com a prefeitura para o pagamento dos salários, atrasados há quatro meses. ‘‘Tem funcionário que está com problema de saúde por causa da crise financeira’’, explica uma das servidoras, que não quis se identificar temendo represálias.
Os funcionários, que não têm sindicato, organizariam uma reunião ontem à noite com advogados e sindicalistas de outros municípios para tentar uma saída. Uma das alternativas em estudo seria bloquear as contas do município para tentar receber.
O Centro de Saúde de Jaguapitã atende uma média de 100 consultas por dia. Outros 20 pacientes recebem atendimento odontológico e o número diário de exames laboratoriais chega a 90. ‘‘Exames, atendimento odontológico e consultas só quando é emergência’’, explicou outro servidor.
De acordo com os funcionários, o município alega que não tem recurso para pagar o salário dos servidores (médicos, enfermeiros, dentistas e auxiliares). ‘‘Tem gente passando fome’’, reclama uma funcionária, para completar: ‘‘Mas o pior é o descaso. Ouvimos do pessoal da contabilidade que não sabia quando a situação iria se normalizar. Era como se a gente estivesse ouvindo: não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe’’, reclamou.
O secretário de Saúde de Jaguapitã, Romildo Arali, confirmou o atraso e disse que do total de 70 servidores, ‘‘5 ou 6’’ receberam normalmente. Segundo ele, o Ministério da Saúde repassa de R$ 24 mil a R$ 26 mil mensais para o município, mas os gastos chegam a R$ 70 mil. Ele disse que o prefeito Edson Rodrigues (sem partido) – que não disputou a reeleição – estaria indo a Curitiba ontem para buscar informações junto ao Tribunal de Contas da possibilidade legal de transferir recursos de um setor para outro e, com isso, acertar a situação do funcionalismo.
‘‘A gente entende a dificuldade dos servidores porque eu sou da saúde e também estou com o salário atrasado’’, explicou. Arali reclamou ainda do fato de a maior parte dos procedimentos pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) estar com os valores defasados e de o município, com cerca de 12 mil habitantes, sobreviver com recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

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