Curitiba - O rompimento político entre o candidato a prefeito de Curitiba Beto Richa (PSDB) e o atual prefeito, Cassio Taniguchi (PFL) parece não ter sido definitivo. Segundo denúncias de funcionários da prefeitura, os servidores estariam sendo pressionados para fazer campanha para Beto Richa na reta final do segundo turno.
Segundo o agente administrativo concursado Valmir de Souza, a pressão para aderir à campanha de Beto Richa é grande. ''É um verdadeiro assédio moral. A pressão não vai apenas nos que têm cargo de confiança, mas também nos concursados. Apesar da estabilidade no emprego, a ameaça de represália é grande. No meu caso, que me recusei a trabalhar, já me falaram que eu vou ser transferido para o lixão da Caximba se o Beto ganhar'', afirma o servidor.
O agente administrativo, lotado na secretaria de Finanças, afirma que a cooptação dos funcionários acontece em várias secretarias. ''Nas secretarias de Saúde, Obras, Administração, Finanças... em praticamente todas. Geralmente, o chefe chama os subordinados imediatos e explica a situação, o que acaba criando um constrangimento'', destaca Valmir.
Outros três funcionários ouvidos pela Folha confirmam as denúncias, mas preferem se manter anônimos. ''São cinco dias na prefeitura e mais o final de semana na campanha. Porém, o acordo é que a gente receba folgas para compensar isso'', afirmou um servidor da área de Administração.
A assessoria de imprensa da prefeitura negou ontem que os servidores venham sofrendo ameaças para trabalhar para Beto Richa. De acordo com o secretário de Governo, Geraldo Siqueira, pressões podem ter ocorrido em episódios pontuais, e se forem denunciadas serão apuradas internamente. A assessoria de Beto Richa preferiu não se manifestar sobre o assunto.

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