Servidores recebem sem trabalhar
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de abril de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
A manutenção de um grupo de dez servidores no quadro oficial do município sem execução de trabalho vem causando um prejuízo de aproximadamente R$ 50 mil por ano para a Prefeitura de Figueira (Norte Pioneiro). Os servidores foram exonerados em 2005 pelo prefeito Geraldo Garcia Molina (PMDB), mas conseguiram a recondução por via judicial. Para manter o afastamento, a prefeitura assinou decreto administrativo em 2006 mantendo os servidores em disponilidade, ou seja, todos tiveram os vencimentos reduzidos a um salário mínimo e não precisam trabalhar. Os servidores sequer comparecem à prefeitura e podem exercer outras atividades.
A oficial administrativa, Zilda Higino dos Santos, é uma das servidoras que recebem sem trabalhar. ''Isso é fruto de perseguição política. O prefeito não quer que a gente trabalhe porque alega que somos de outro grupo político'', afirma. ''É complicado porque estou apta para o trabalho. Me considero uma funcionária pública, mas hoje faço alguns bicos para complementar a renda e sobreviver.''
Zilda dos Santos é irmã do ex-prefeito Jaime Higino dos Santos - adversário político do atual prefeito - mas alega que a relação de parentesco nunca comprometeu o seu trabalho. A exoneração aconteceu, de acordo com ela, 15 dias após Geraldo Molina assumir a prefeitura.
O prefeito Geraldo Molina confirmou a manutenção dos servidores fora do trabalho, mas negou que se trate de perseguição. ''A questão é de orçamento. Quando assumimos, a folha de pagamento estava acima de 60% e a lei limita os gastos com servidores em 54%. Tentamos exonerar os servidores nas áreas desnecessárias, mas a Justiça não deixou. Aí reduzimos os salários e colocamos em disponibilidade'', afirmou. ''Para a prefeitura foi bom porque alguns ganham até R$ 1.500 e não havia serviço para todos. Nós reduzimos os gastos e nos adequamos à lei.''


