Os sindicatos dos servidores públicos estão preparando uma grande ofensiva contra a reforma administrativa aprovada quarta-feira, em primeiro turno, na Câmara dos Deputados. Na segunda-feira começam a distribuir 15 mil cartazes e 100 mil panfletos com os nomes dos 309 deputados que votaram a favor da emenda e denunciando ‘‘o fim do serviço público e a aprovação do teto extra que permitirá que os vencimentos de alguns marajás cheguem a R$ 21,6 mil.’’ O teto extra não foi aprovado ainda e será avaliado na próxima semana, quando entrar em votação a emenda aglutinativa sobre o assunto.
Os funcionários públicos farão também uma paralisação no dia 17, para um ato conjunto com os integrantes da Marcha dos Sem-Terra na Esplanada dos Ministérios. Além dos servidores que trabalham em Brasília, os sindicatos aguardam mais de três mil servidores públicos de todo o País para engrossar a manifestação. E para garantir o quórum, a Central Única dos Trabalhadores do Distrito Federal (CUT/DF) marcou reunião plenária com seus diversos sindicatos filiados na qual discutirá um ato unificado contra a aprovação da reforma, também no dia 17. Nas últimas manifestações, os sindicatos não têm conseguido reunir um número expressivo de manifestantes.
Na terça-feira os sindicalistas vão recepcionar os deputados nos aeroportos dos estados e no aeroporto de Brasília para tentar convencê-los a derrotar a reforma no segundo turno de votação. Toda a articulação está sendo feita pela Coordenação dos Servidores Públicos Federais (Condsef), que reúne vários sindicatos da entidade.‘‘Nós acreditamos que ainda é possível reverter a aprovação no segundo turno’’, afirmou o diretor da Condsef, José Mário Castro.
Os cartazes serão afixados em locais estratégicos das principais capitais do País e os panfletos serão distribuídos à população em geral. Segundo Castro, o custo total para confecção dos cartazes e panfletos foi de R$ 15 mil.
O Sindicato dos Servidores Públicos do DF (Sindsep) veicula a partir da próxima semana um ‘‘clip’’ comercial nas principais emissoras de televisão, denunciando os ‘‘interesses espúrios’’ da reforma do governo aprovada pelos deputados. ‘‘O Congresso trocou o fim da estabilidade para garantir o aumento de seus salários e a continuidade de privilégios’’, afirmou o secretário-geral do Sindsep, Luís Bicalho. ‘‘A reforma destrói o serviço público e não moraliza nada.’’
Segundo Bicalho, a transformação de universidades, museus e hospitais do Estado em organizações sociais nada mais é do que a privatização dos serviços públicos. ‘‘O governo pretende economizar demitindo os servidores em massa e privatizando hospitais e universidades’’, criticou. ‘‘A aprovação do teto extra mostra como o governo trata os marajás.’’

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