Curitiba - Os valores apresentados pelo governo do Estado para justificar o não pagamento do reajuste de 5% ao funcionalismo público este mês são questionados pelo Fórum das Entidades Sindicais. O governo deve decidir até sexta-feira se uma folha de pagamento complementar será gerada para implantar o reajuste. Ontem integrantes do Fórum cobraram dos deputados empenho na implantação do aumento. ''Como eles votaram o projeto de lei e aprovaram, a responsabilidade também é deles'', cobrou a coordenadora do movimento, Elaine Rodella.
Segundo Cid Cordeiro, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), há uma divergência entre os cálculos do governo e os realizados pela entidade. O governo alega que a implantação do reajuste deixaria as contas do Estado fora dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). ''Segundo o governo, haverá um crescimento de 27% nos gastos com pessoal enquanto a arrecadação evoluiu 8,7%'', explica Cordeiro.
Mas segundo o técnico do Dieese, o primeiro quadrimestre do ano já aponta para um crescimento na receita líquida de 14%. ''E os gastos com pessoal devem crescer entre 13% e 15%, o que garante a implantação do reajuste sem ultrapassar os limites da lei de responsabilidade'', defende.
Para Cordeiro, ''não há razão para não implantar o aumento''. ''A receita do Estado está num bom patamar e a expectativa é que a receita supere, inclusive, a prevista na Lei Orçamentária Anual (LOA).''
O aumento de 5% para o funcionalismo público foi aprovado em março pelos deputados e deveria ser implantado em maio, data-base da categoria. Porém, uma emenda aprovada junto com o projeto de lei analisado pela Assembleia estipulou que o reajuste só seria pago se a arrecadação do Estado permitisse.
Segundo Elaine, a Secretaria de Administração e Previdência teria informado aos sindicatos que a folha de pagamentos de maio ainda não teria sido rodada. No entanto, mesmo que os pagamentos já tenham sido programados, a sindicalista defende que o governo emita uma folha complementar. ''Eles podem emitir uma folha complementar a qualquer momento. É só ter boa vontade'', disse.

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