Servidores públicos protestam no Paraná
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terça-feira, 08 de julho de 2003
Maria Duarte<bR>Equipe da Folha 
Curitiba - Os servidores federais no Paraná engrossaram ontem a paralisação nacional contra a reforma da previdência, proposta do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que aguarda aprovação do Congresso. O Fórum Paranaense de Luta em Defesa da Previdência e Seguridade Social organizou ontem à tarde um ato público na praça Santos Andrade, onde cerca de 500 funcionários da Receita Estadual e Receita Federal, Previdência, Polícia Federal, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Banco Central, Justiça Federal e professores manifestaram apoio à greve e pediram a retirada da reforma da pauta de votações.
Levando faixas e um caminhão de som, eles fizeram uma caminhada da praça até a Boca Maldita, no centro da cidade. Eles são contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) número 40, que traz as alterações ao sistema previdenciário nacional, que afeta também os estados e municípios. A adesão foi grande mas, até o início da noite de ontem, não havia um balanço geral da paralisação. No Estado, a previsão de parte dos sindicatos era cruzar os braços apenas ontem, retomando as atividades hoje.
Os servidores discordam da forma de cálculo da aposentadoria, que fará uma média de salários dos 35 anos de contribuição, conforme o texto original. ''Isso desmotiva quem começou por baixo e cresceu na carreira. Somente esse ponto deve representar uma perda de 40% (na aposentadoria)'', avaliou Yukiharu Hamada, presidente da Affep Sindical, o sindicato dos fiscais da Receita Estadual. A Receita Estadual teve adesão aproximada de 60%.
O cálculo da pensão até 70% sobre a média do benefício também é alvo de crítica. O funcionalismo não concorda ainda com a taxação de inativos, nem com o aumento da idade mínima para se aposentar (de 53 para 60 para homens e de 48 para 55 no caso das mulheres).
Para a professora Milena Martinez, diretora da Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná, o ''mais grave'' é a privatização do sistema previdenciário, através dos fundos de pensão. ''Não somos contra mudanças no sistema, mas somos contra essa reforma que foi colocada pelo governo federal, que é na verdade uma reforma fiscal'', disse. Na avaliação da professora, as alterações propostas pelo Planalto não vão acabar com os ''marajás'', que conseguiram altas aposentadorias (algumas na casa dos R$ 30 mil) graças a brechas na Justiça. ''Um professor universitário com doutorado ganha R$ 4 mil'', compara ela.


