A pressão feita pelos servidores públicos fez com que o governo perdesse votos importantes no Senado durante a discussão da proposta de reforma administrativa, na noite de terça-feira. O governo ganhou a disputa, mas não contou com os votos de senadores de Estados onde boa parte dos eleitores pertence à categoria dos funcionários públicos.
Esse foi o caso de Rondônia, onde os três senadores, tradicionais aliados do Palácio do Planalto, rejeitaram a proposta. ‘‘É que nesses Estados pequenos os funcionários públicos têm um peso maior’’, explicou o senador José Bianco (PFL-RO). O líder do PTB, Odacir Soares (RO), também deu voto contrário à reforma. O texto foi aprovado por 59 senadores e rejeitado por 18 deles.
Outro procedimento inesperado foi o do senador Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB), que se absteve de votar. Ele explicou que concordava com a maioria dos pontos da reforma, mas não aceitava a orientação de não alterar o texto aprovado pelos deputados. Telefonou para o presidente Fernando Henrique Cardoso para explicar seu gesto e evitar problemas políticos futuros.
Também contribuíram para os 18 votos contrários à matéria os chamados senadores ‘‘dissidentes’’, do PMDB, como Roberto Requião (PR) e Pedro Simon (RS), e do PFL, Josaphat Marinho (BA), que normalmente se opõem às propostas do governo. Outro voto contrário da base governista partiu do líder do PPB, Epitácio Cafeteira (MA), ex-funcionário do Banco do Brasil, que também se manifestou contrariamente às mudanças propostas pela reforma previdenciária.

mockup