Brasília - Com o argumento de que o governo deu ''um golpe'' no funcionalismo ao apressar a discussão da reforma previdenciária, o comando nacional de greve dos servidores públicos decidiu fazer hoje uma ''vigília cívica'' diante do Congresso. A manifestação antecederá a marcha dos servidores pela Esplanada dos Ministérios, marcada para amanhã, em protesto contra a reforma. Os organizadores da marcha prometem pôr na rua 40 mil pessoas, num trajeto que irá da Catedral à Câmara, com uma parada estratégica diante do Ministério da Previdência e, depois, em frente ao Palácio do Planalto.
Irritados com a tentativa do governo de votar a proposta a toque de caixa, os servidores federais - em greve desde 8 de julho - apelarão para a tática da vigília. ''Três mil pessoas acompanharão amanhã (hoje) a apresentação do relatório do deputado José Pimentel (PT-CE)'', afirmou o sindicalista Vicente Neto, do comando de greve.
Em reunião realizada ontem à tarde com cerca de 70 sindicalistas, o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-CE), disse que tentará negociar até a última hora uma proposta que não prejudique o funcionalismo. João Paulo ouviu protestos dos dirigentes, que chamaram a proposta do governo de ''privatista'' e ''insuficiente''. ''Temos feito das tripas coração para tentar abrir a negociação e vocês acham que não houve avanço?'', reagiu João Paulo.

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