Curitiba - Servidores efetivos e comissionados da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná fizeram uma greve, ontem, reinvindicando, entre outras questões, o pagamento das perdas salariais referentes a não correção da URV entre os anos 2002 e 2007. A paralisação foi organizada pelo Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo (Sindilegis) e afetou todos os serviços da Casa de Leis durante a tarde, inclusive a Ordem do Dia de votações em plenário, que foi suspensa.
Segundo o Sindilegis, com a implantação da moeda real, a perda salarial foi de 11,98%. A diferença foi corrigida a partir de 2007, mas os funcionários reivindicam o pagamento das perdas dos cinco anos anteriores - uma vez que o período além dos cinco anos é considerado prescrito. Segundo o sindicato, a soma de todos os pagamentos devidos estaria em cerca de R$ 36 milhões, sendo que alguns funcionários teriam direito a receber até cerca de R$ 200 mil.
A pauta de reivindicações apresentada pelo Sindilegis ao presidente da AL, deputado Nelson Justus (DEM), incluía também a liberação de licenças prêmios - suspensas há quatro meses - e a concessão de gratificações já previstas em lei, mas ainda não implementadas. Segundo o agente administrativo Jorandi Lopes Cordeiro, servidor há 21 anos, essa foi a primeira greve no legislativo estadual nos últimos 25 anos. ''Eles vinham prometendo resolver essas questões, mas só levam na barriga. A greve é justa''.
A ''gota d'água'' para a deflagração da greve teria sido um documento apresentado à diretoria do sindicato comunicando que o pagamento da URV seria feito em precatório, uma vez que a Justiça já decidiu, transitado em julgado, a favor da causa dos servidores da AL em ações impetradas por cerca de 600 funcionários da Casa. De acordo com o presidente do Sindilegis, o agente de segurança Edenilson Carlos Ferry, aproximadamente 1.000 funcionários - entre efetivos e comissionados - teriam direito ao pagamento, que não seria aceito em precatórios.
A greve só foi suspensa depois de uma reunião entre a diretoria do sindicato e o presidente da Assembleia, o primeiro secretário, deputado Alexandre Curi (PMDB), o deputado Jocelito Canto (PTB) - que serviu de intermediário entre os funcionários e a administração da AL - e técnicos da Casa. Justus assinou a promessa de realizar os pagamentos das perdas da URV e ainda garantiu que irá cumprir todas as reivindicações apresentadas pelos grevistas. Segundo Canto, a AL teria dinheiro suficiente para pagar a quantia devida, mas precisaria antes se garantir de que o pagamento estaria dentro da legalidade.
Diretoria do Sindilegis e administração da AL voltam a se reunir ao longo da semana para combinar os prazos e a forma como os pagamentos serão efetuados. Ferry afirma que eles aceitam o pagamento parcelado para valores superiores a R$ 30 mil. A greve ficou suspensa pelo período de uma semana, prazo que o presidente do sindicato considera suficiente para que Justus cumpra com sua promessa.
O presidente da AL não deu declarações à imprensa. Uma nota oficial da comunicação da Casa informou que a comissão dos trabalhadores e da direção da AL irá analisar as reivindicações e ''encontrar uma forma legal de realizar o pagamento das perdas com a URV''.

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