Os servidores públicos municipais voltam ao trabalho hoje depois de um dia de paralisação em protesto pela reposição salarial referentes aos anos de 2001, 2002 e 2004. Negociando junto à Secretaria de Gestão Pública desde dezembro do ano passado, os funcionários têm como principal reivindicação o reajuste de 21% nos salários e alegam não ter recebido até ontem nenhuma contra-proposta da administração municipal. Em assembléia realizada ontem na Praça dos Três Poderes, os servidores decidiram por unanimidade retomar a paralisação nos próximos dias 7 e 8.
Segundo o comando de greve do Sindicato dos Servidores Municipais de Londrina (Sindserv), cerca de 3 mil funcionários participaram da assembléia. A adesão à paralisação, de acordo com o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, chegou a 80% do total de 7 mil servidores da prefeitura.
Usando um carro de som e gritando palavras de ordem entre os manifestantes, Urbaneja intercalava críticas à administração do prefeito Nedson Micheleti (PT) com itens da pauta de reivindicações dos servidores que, segundo ele, foi encaminhada à Gestão Pública no dia 31 de dezembro.
''Vivemos em Londrina um acidente democrático. A falta de propostas por parte da prefeitura só mostra a postura arrogante e irresponsável do Executivo'', afirmava. O reajuste do vale alimentação, pagamento das licenças-prêmio e a retomada do direito à venda de 10 dias de férias eram reivindicados juntamente com a reposição salarial de 21%, que Urbaneja defende usando um estudo encomendado junto ao Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). ''O secretário Jacks Dias (da Gestão Pública) alega que o impacto da reposição de 21% seria de R$ 44 milhões no orçamento da prefeitura, quando na verdade o Dieese aponta para gastos de no máximo R$ 20 milhões'', argumentou.
Urbaneja comentou com ironia a notícia de que a Prefeitura estaria abrindo licitações de até R$ 5,7 milhões para gastos com publicidade. ''Na hora de negociar, falam que não têm dinheiro. Mas de onde surge o dinheiro para os cargos comissionados da Sercomtel (30 no total, com gastos de R$ 1,4 milhão anual) e para esta publicidade?'', perguntou. ''O que eles querem é financiar a candidatura de alguém do PT (o partido do prefeito) ao governo do Estado'', criticou.
O secretário de Gestão Pública, Jacks Dias, reconheceu a falta de propostas para os servidores e reforçou a posição do secretário de Fazenda, Wilson Sella, quando ele disse que qualquer tipo de reajuste só poderia ser discutido a partir de setembro. ''Neste momento, não podemos oferecer nenhum índice de reposição. Temos que observar como a arrecadação se comporta nos próximos seis meses para saber o quanto podemos oferecer'', afirmou Dias.
Sobre o impacto de um reajuste de 21% nas contas municipais, o secretário afirmou que o aumento de R$ 20 milhões nos gastos com pessoal só seria possível se o índice para o reajuste fosse cortado pela metade. ''Formalmente, não recebemos nenhuma proposta abaixo dos 21%'', rebateu. As verbas destinadas à publicidade, segundo Dias, já estavam incluídas no orçamento para este ano. ''E ainda assim, elas também estão condicionadas a um aumento da arrecadação'', resumiu, destacando ainda que toda a verba que porventura seja usada em uma provável candidatura do partido ao governo estadual virá do diretório nacional do PT.

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