Cerca de 600 servidores municipais decidiram em assembléia ontem, em frente à Prefeitura de Londrina, continuar a greve que completa hoje 85 dias. A reunião foi convocada para discutir as decisões do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), que, semana passada, ordenou a reabertura de todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) afetadas pelo movimento, e ainda permitiu o desconto dos dias parados.
O presidente do Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv), Marcelo Urbaneja, afirmou que o não desconto em folha pode até se tornar outro item da pauta de reivindicações. ''Buscamos melhores condições de trabalho e reposição salarial. Você acha que vamos voltar a trabalhar e para ficar sem receber os 80 dias parados?'', questionou.
Já a decisão do TJ emitida na última quarta-feira estabelecia que o Sindserv
restabelecesse o atendimento normal nas UBSs em até 24 horas após a notificação, ocorrida sexta. Conforme a sentença, o descumprimento acarreta multa diária de R$ 10 mil à entidade. O sindicato recorreu da decisão.
''A Justiça não pode determinar que 100% dos trabalhadores volte a trabalhar, porque estará desrespeitando a Constituição. O promotor poderia pedir uma escala mínima de pessoas que devem trabalhar porque estamos no direito de paralisação. Quando houve a greve do transporte coletivo foi a mesma coisa, só parte dos trabalhadores atuou durante a greve'', comparou Urbaneja.
Ainda segundo o presidente do Sindserv, o desembargador teria entendido que a greve deste ano não seria continuidade ao movimento do ano passado e que por isso teria decidido que a categoria deveria voltar a trabalhar. ''No ano passado foi votada a suspensão da paralisação, mas em ata, que podemos usar como prova, deixamos claro que ainda estávamos em estado de greve já que desde aquela época tentamos sentar com o prefeito para negociar e não conseguimos'', argumentou.
Durante a assembléia, uma servidora tentou se manifestar pelo fim da paralisação mas foi vaiada e teve dificuldade para falar com a imprensa por conta do grande tumulto formado por servidores que tentavam impedi-la de conceder entrevista.
''Eu sou da Saúde e acho que deve ser cumprido o que a Justiça determinou. Na minha opinião só devemos agir do contrário caso uma nova decisão seja manifestada pela Justiça'', disse Maria Aparecida Ribeiro de Carvalho, enfermeira da UBS do Jardim do Sol (Zona Oeste) que está fechada desde o início da greve.

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