A prefeita de Jataizinho (21 km a leste de Londrina), Terezinha de Fátima Sanchez (PMDB), participou de audiência anteontem com o promotor de Uraí, José Roberto Manchini, e o presidente do Sindicato dos Servidores, Claudinei Cabral, mas não houve acordo entre as partes. A prefeita cortou o abono salarial (R$ 50) dos 260 servidores este mês e a entrega de cesta básica aos 166 que recebiam o benefício. Os servidores fizeram uma primeira paralisação no dia 22 de outubro e estão em estado de greve desde o dia 4. Dia 23 de novembro, uma assembléia vai decidir se a greve será realmente deflagrada.
Manchini afirmou que o objetivo da audiência era tentar solucionar o impasse de maneira mais rápida. ''Houve um pedido do sindicato para a apuração de eventual conduta criminosa da prefeita por ter cortado o abono e a cesta-básica'', explicou. De acordo com ele, o caso será encaminhado para a Procuradoria de Justiça em Curitiba que irá determinar ou não a abertura de inquérito policial. ''Eles (prefeita e sindicato) não chegaram a um entendimento porque ela tem argumentos de que não dispõe de verba e o sindicato tem o direito de não abrir mão do benefício'', avaliou manchini.
Conforme Claudinei Cabral, a prefeita teria sugerido que caso os servidores conseguissem levantar o dinheiro, pagaria os benefícios. Uma das hipóteses aventadas foi a de arrecadar o IPTU atrasado de contribuintes. Terezinha disse que essa sugestão foi descartada pelo advogado do sindicato. Ela argumentou não ter dinheiro para pagar os benefícios e acrescentou que precisa se enquadrar na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para entregar o mandato em 31 de dezembro.
De acordo com a prefeita, ''não existe por parte do Executivo uma maneira de tirar dinheiro para pagar os benefícios cortados''. Ela ponderou que preferiu manter gastos que atingem a coletividade a manter os benefícios dos servidores e precisar cortar verba de outro serviço. O corte desses benefícios foi também uma maneira de garantir o pagamento do 13º salário aos servidores, segundo a prefeita. Ela ponderou, entretanto, não saber se a primeira parcela será paga até o dia 30 deste mês, mas também não descartou essa hipótese.
Terezinha argumentou que, se tivesse dinheiro para pagar o abono e a cesta-básica, ''não passaria por essa humilhação''. Ela informou que a arrecadação mensal da prefeitura é de R$ 450 mil. ''Desse dinheiro, 25% vai para a educação, 15% para a saúde, 6% para a Câmara, o que sobra disso é que vai dar o montante que você pode gastar com outras coisas'', detalhou. A prefeita disse acreditar que o advogado irá conseguir dissuadir os servidores de entrarem em greve. ''O salário está em dia'', salientou.
A prefeita lembrou ainda que pegou a prefeitura com uma dívida de mais de R$ 3 milhões e precisou tirar dinheiro da atual administração para pagar dívidas de outras administrações. ''Recebi a prefeitura com quatro folhas de pagamento atrasadas e outras contas como Copel e Telepar. Tive que pegar dinheiro bom para não deixar de receber verbas'', justificou.

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