Servidores indiciados afinam discurso
Boa parte dos indiciados foi interrogada formalmente ontem no Gaeco. Osvaldo Moreira Neto, que também é investigado em denúncias de fraude em licitação de terrenos no Cemitério São Paulo, negou ter conhecimento de qualquer irregularidade sobre a oferta dos serviços de tanatopraxia enquanto ocupou a superintendência da Acesf - cargo do qual foi pediu afastamento, mês passado, dias depois de a Controladoria do Município começar a investigar o caso. Por outro lado, disse que ''agora começa a acreditar'' que os crimes teriam ocorrido.
''No começo eu defendia piamente os funcionários, não queria acreditar que estavam fazendo isso, porque a maioria é antiga, idônea. Mas depois que começaram as reclamações e que eu conversei com o controlador (do Município), passei a acreditar que pode ter ocorrido algo nesse sentido. A Acesf funciona 24 horas e eu não estava lá o tempo todo'', declarou. Ele disse ter ''certeza'' de que algumas famílias estão se aproveitando das denúncias para tentar receber dinheiro de volta.
O atendente Luiz Carlos Teodoro afirmou que os plantonistas não tinham autonomia para oferecer o serviço de tanatopraxia. ''Atendíamos as famílias e passávamos para o preparador, que indicava a necessidade ou não do serviço. Nunca presenciei nada irregular'', disse.
Também indiciado, o plantonista Carlos Marinelli adotou tom semelhante. ''Quando há necessidade do serviço, quem fala é o preparador. Se a família quiser uma avaliação da tanato, a gente liga para a empresa de plantão e ela envia um funcionário. Indicar, jamais'', declarou.
Técnico de enfermagem no Hospital Universitário (HU) e há quatro anos preparador de cadáver na Acesf, à tarde, o indiciado Neio Bandeira garantiu que só indicava a tanatopraxia aos usuários ''quando via necessidade''. ''As bactérias e vírus evoluíram muito; 80% dos corpos que chegam hoje vêm com infecção generalizada. Mesmo assim, só uns 20%, 25%, até 30% precisavam do procedimento'', estipulou.
O plantonista também indiciado Geraldo Lopes da Silva Junior, há 21 anos na Acesf, disse estar ''com a consciência tranquila'': ''É a palavra deles (familiares denunciantes) contra a nossa. A determinação da superintendência era para os preparadores, e, pelo que sei, dos 15 corpos que chegavam por dia, só em um ou dois era necessária (a tanato)''.
Preso na última quarta-feira por supostamente constranger uma testemunha, o plantonista Mauro Pinto Ferreira chegou ao MP para depor algemado - réu primário, ele está na carceragem do 2º Distrito Policial (DP) em uma cela com mais quatro presos - e não quis falar com a imprensa. O advogado dele, Edgard Ehara, afirmou que já solicitou à Justiça a revogação da prisão preventiva do cliente. ''De maneira nenhuma ele constrangeu testemunhas. É a coisa mais normal e tranquila ele querer conversar com seus colegas de trabalho sobre o assunto, que foi o que aconteceu'', declarou Ehara. (V.N./J.G.)





