Curitiba - A Paraná Previdência, o fundo de aposentadorias e pensões dos servidores do Estado, virou alvo de fraude por parte de funcionários públicos. Um pente-fino feito pela equipe da Paraná Previdência encontrou fortes indícios de fraude, e encaminhou os documentos ao Ministério Público (MP) estadual. Com o objetivo de receber vantagens por tempo de serviço ou se aposentar mais cedo, servidores apresentavam certidões supostamente falsas de que trabalharam em prefeituras de cidades pequenas.
Com base nesses documentos, os funcionários pediam o quinquênio (adicional no salário, pago a cada cinco anos) ou se aposentar antes de completar 53 anos (homens) ou 48 (mulheres), conforme as novas regras estabelecidas pela reforma previdenciária.
Mauro Ribeiro Borges, diretor do Departamento de Seguridade Funcional da Secretaria de Estado da Administração e Previdência, explicou que as fraudes não envolvem necessariamente as prefeituras, podem ter sido feitas pelos funcionários interessados nos benefícios.
Alguns documentos são antigos, têm cerca de 20 anos. Outros são recentes. O problema é que antes não havia forma de controle eficiente da papelada que era apresentada pelo servidor, então ficava difícil detectar qualquer irregularidade. ''Parte-se do princípio da fé pública, de que o documento é real'', disse Borges. Agora, na era da informática e com pessoal treinado, fica mais fácil cruzar dados, checando com as prefeituras ou com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a veracidade desses documentos.
De acordo com a Paraná Previdência, existem 22 processos relativos a esse tipo de fraude. A papelada começou a ser encaminhada ao MP em abril do ano passado. Cinco casos usaram a Prefeitura de Guairaçá (26 km a noroeste de Paranavaí) para contar tempo de serviço. Outras 16 prefeituras também foram utilizadas algumas do Paraná e outras do Interior do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
As supostas fraudes estão nas mãos do promotor de Justiça Adauto Salvador Reis Facco, do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Proteção ao Patrimônio Público. Segundo o promotor, o caso ainda está em fase de investigação, portanto não existe ainda uma denúncia formalizada. ''Espero concluir a investigação este ano'', disse Facco.

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