Alegando estarem há quase três meses sem receber os vales-transporte, funcionários da rede estadual de ensino decidiram fazer um protesto, na tarde de ontem, em frente da casa do governador Jaime Lerner (PFL), na Rua Bom Jesus, no bairro Cabral, em Curitiba. No entanto, a Polícia MIlitar foi mais rápida e bloqueou as vias transversais, impedindo que os manifestantes tivessem acesso ao prédio.
Os servidores cerca de 30 insistiram na manifestação e se posicionaram na calçada da Avenida João Gualberto e ali estenderam suas faixas de protesto. Do outro lado da avenida, uma barreira de 15 policiais militares e da Ronda Ostensiva de Natureza Especial (Rone) impedia a passagem dos funcionários públicos. Pelo menos sete viaturas foram enviadas para o local.
A assistente administrativa J.T.S., que preferiu não ter o nome divulgado, disse que está há cinco meses sem receber os vales-transporte. Segundo ela, os descontos estão sendo feitos normalmente. Em função da falta do auxílio, pediu transferência para uma escola mais próxima de sua casa, em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba. Mesmo assim, ela tem que caminhar por mais de uma hora para chegar ao trabalho, já que com o salário bruto de R$ 269,00 diz não ter condições de tirar do bolso o dinheiro para o transporte. Além da distância, a funcionária enfrenta o medo de caminhar pelos trilhos do trem, sozinha à noite.
A Secretaria de Estado da Educação informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que já repassou para os Correios os recursos para a distribuição dos vales referentes a setembro e outubro (repassado sempre no mês seguinte). O governo admite que houve atraso, mas garante que o problema já foi resolvido e que a entrega dos vales de novembro deverá ser feita dentro do prazo. Até o início da semana que vem deverão ser entregues os vales de setembro e na primeira semana de dezembro, os de outubro.
O presidente da APP-Sindicato entidade que representa a categoria , Romeu Gomes de Miranda, disse que o protesto será repetido na próxima quarta-feira, caso até lá o repasse dos vales-transporte não seja efetuado.

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