A Prefeitura de Londrina pode enfrentar novamente, a partir de amanhã, mais uma paralisação no serviço público municipal - por enquanto, de apenas 24 horas. Uma assembléia geral da categoria em frente à prefeitura define, na manhã desta terça-feira, quando terá início a greve geral - dessa vez, por tempo indeterminado. O último movimento do gênero, realizado no primeiro semestre de 2005, durou 31 dias.
O sindicato que representa os funcionários municipais, o Sindserv, reivindica o pagamento das perdas salariais acumuladas em 27%. Na semana passada, a entidade oficiou o Executivo do resultado da assembléia que, no último dia 27, aprovou o indicativo de greve. A comunicação do resultado à Prefeitura, feita também ao Ministério Público (MP), chamara a administração para uma reunião em que se tentasse uma negociação entre as partes, mas o pedido não foi atendido.
De acordo com o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, o encontro com membros do alto escalão do prefeito Nedson Micheleti (PT), senão com ele próprio, seria uma forma de, não atendida a reivindicação salarial, pelo menos se definirem os parâmetros dos serviços essenciais. ''Eles nos responderam que se negam a comparecer a essa reunião. E não vamos aceitar mais formação de 'comissão de servidores' (como na greve de 2005) para debater: queremos alguém com poder de decisão, pois foram 16 meses tentando um índice, sem qualquer resposta'', defendeu.
Segundo Urbaneja, durante a paralisação de alerta, amanhã, só devem funcionar eventuais setores discordantes de um novo movimento grevista. Já a data de início da paralisação por tempo interminado será conhecida apenas durante a assembléia, caso a categoria não opte pela continuação já a partir de quarta-feira.
A coordenação do Núcleo de Comunicação da Prefeitura repetiu o discurso de que, além da falta de caixa para conceder o reajuste, o prefeito ainda se vê às voltas com o índice alto de gastos com pessoal. A Lei de Responsabildade Fiscal (LRF) determina 54% da receita gastos com folha, mas Londrina estaria acima dos 57%.
Questionado se a administração aceitaria negociar e expor esses números ao sindicato, o coordenador do Núcleo de Comunicação, Ricardo da Guia Rosa, insistiu: ''O prefeito já vem apelando publicamente aos servidores, até os secretários vêm falando com os funcionários sobre os prejuízos de uma greve''. A possibilidade de uma paralisação é vista pela administração municipal como um ato político. ''É período de eleição, não tem como conversar. Essa posição deles (diretores do sindicato) em deflagrar greve agora é política e eleitoral'', disse o assessor.
''O prefeito espera a compreensão dos servidores. Essa é a postura desde o ano passado'', resumiu o assessor.

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