Servidores fazem greve por atraso de salário
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sábado, 02 de dezembro de 2000
Marcos Zanatta De Maringá 
Sem receber salários desde julho, parte dos servidores públicos municipais de Doutor Camargo (32 quilômetros a oeste de Maringá) paralisou as atividades ontem por tempo indeterminado. Apenas alguns trabalhadores da saúde e da educação continuam em atividade. Já paramos por alguns dias em setembro e outubro, mas agora não voltamos enquanto o pagamento não sair, avisa o auxiliar administrativo Antônio Pedro Gonçalves Lemes. Além dos salários, os servidores não recebem o 13º desde 1998.
Anteontem, os funcionários que trabalham no prédio da prefeitura e na garagem decidiram parar todas as atividades. Uma corrente foi passada na porta do Paço Municipal e um cadeado lacrou a entrada. O pessoal do IBGE veio aqui buscar boletins do censo mas não consegui nada, conta Lemes. Os servidores já ingressaram na Justiça com pedido de bloqueio das contas para pagamento do funcionalismo.
Segundo Lemes, a situação chegou a tal ponto que servidores estão pedindo licença (e o prefeito concedendo) para fazer bico e garantir uma renda. Outros estão dependendo de parentes porque o comércio não vende mais para a gente, desabafa. O mestre de obras João Miguel Benevides conta que companheiros não conseguem um crédito de R$ 5,00 com comerciantes da cidade. Já estamos passando vergonha, alega.
O prefeito Valter Bessani (PFL), que não conseguiu se reeleger, diz que a Câmara de Vereadores já bloqueou as contas da prefeitura e não existem meios de pagar o funcionalismo. Dependemos do fundo (Fundo de Participação dos Municípios) e nossa população caiu, reduzindo o valor que recebemos, desabafa. Bessani alega que o fundo varia entre R$ 80 mil e R$ 100 mil e os servidores acham que o valor está próximo de R$ 200 mil. A folha de pagamento consome R$ 85 mil.
Outro problema é que 5% da população trabalha na prefeitura, diz Bessani. São cerca de 280 funcionários. O prefeito lembra ainda que assumiu a prefeitura com três folhas atrasadas e um reajuste de 25% dos salários. Sem arrecadação não tem o que fazer, desabafa. Os trabalhadores dizem que a Câmara bloqueou apenas parte das contas e que o prefeito sumiu para não dar nem satisfação.
Os moradores reclamam da situação, principalmente da falta de coleta de lixo. Lemes revela que alguns comerciantes levam o lixo até o aterro sanitário por conta própria. Tem até lixo hospitalar ao lado do hospital sem recolher há alguns dias. A dona de casa Ivone Aparecida de Oliveira confirma que a coleta de lixo, que já era deficiente, agora nem existe mais. Antes o lixo era coletado uma vez por semana, agora acho que faz 15 dias que não recolhe, garante.


