Curitiba – Os servidores públicos do Paraná não receberam bem a notícia de que o governador Beto Richa (PSDB) pretende suspender a reposição inflacionária do funcionalismo, antes prevista para ser paga em janeiro de 2017. Segundo a coordenadora do Fórum das Entidades Sindicais (FES), Marlei Fernandes, que é também membro da APP-Sindicato [dos professores], as 22 categorias representadas pelo FES vão se reunir em assembleias nos próximos dias para deliberar sobre uma greve geral, provavelmente a partir de 17 de outubro. O Estado possui hoje em torno de 300 mil servidores, sendo 240 mil ativos.
"Nós já tivemos prejuízo com a data-base de 2015. Carregamos esse prejuízo esse ano. Não abrimos mão e não aceitaremos que o governo retire a data-base da LDO. É calote.", disse Marlei. "Temos uma plenária na segunda-feira de todos os servidores do Paraná e estaremos aqui na Assembleia a partir das 14 horas também. A APP já tem o indicativo. Vamos reunir nosso comando de greve nessa semana", contou, acrescentando que os trabalhadores não são responsáveis pela dívida do Estado. "Nossos números são divergentes. Entendemos que o governo tem recurso para pagar as promoções, implementá-las, e ao mesmo tempo pagar a data-base em janeiro", completou.
Questionado sobre a possibilidade de paralisação, o chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni (PSDB), disse acreditar no "bom senso" dos trabalhadores. "Nós estamos preparados para manter as finanças do Estado equilibradas (…) Se nós tivermos manifestações de servidores, que são normais, estamos estabelecendo um canal direto de diálogo." Caso a proposta passe pela Assembleia, a oposição adiantou que pretende procurar a Justiça. "Faremos o possível e o impossível para defender os interesses do funcionalismo", resumiu o líder da bancada, Requião Filho (PMDB). (M.F.R.)

mockup