Servidores encerram greve após aprovação de 'pacotaço'
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terça-feira, 27 de junho de 2017
Mariana Franco Ramos <br>Reportagem Local 

Curitiba - Os vereadores de Curitiba aprovaram nessa terça-feira (27), já em segundo e derradeiro turno, quatro projetos de lei do ajuste fiscal do prefeito Rafael Greca (PMN). A sessão novamente aconteceu na Ópera de Arame, mas desta vez sem a presença dos servidores públicos municipais no entorno. Os sindicatos mudaram de estratégia e preferiram realizar atos na região do Centro Cívico, onde ficam as sedes da prefeitura e do governo do Estado. À tarde, em assembleia unificada, os servidores decidiram encerrar a greve deflagrada em 12 de junho.
A concentração começou por volta de 8 horas, na Praça 19 de Dezembro, conhecida como Praça da Mulher e do Homem Nus. Perto das 11 horas, aos gritos de "Greca mentiroso" e "servidor na rua, prefeito a culpa é sua", os manifestantes saíram em caminhada, acompanhados por um caminhão de som, em direção à sede da prefeitura e à Praça Nossa Senhora de Salete. A Avenida Cândido de Abreu chegou a ficar bloqueada em um dos sentidos. Alguns motoristas que passavam buzinavam, em sinal de apoio.
Ao contrário de ontem, não houve registro de tumulto. "A gente não vai assistir duas vezes à mesma peça; uma peça cômica, trágica, sem qualquer condição. A caminhada até a prefeitura é para deixar claro que a prefeitura é responsável pelo que vai acontecer daqui para frente. Alertamos os vereadores e a comunidade e, mesmo assim, optaram por votar", disse a coordenadora-geral do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc), Irene Rodrigues.
Apesar de terem aprovado o encerramento da greve, os servidores decidiram se manter em estado de mobilização para dar continuidade aos protestos contra o pacotaço. Nesta quarta-feira (28), às 8 horas, os servidores fazem um "ato de escracho" em frente à Câmara Municipal de Curitiba, quando ocorre a última sessão plenária antes do recesso parlamentar. Na sexta-feira (30), os servidores vão paralisar as atividades para aderir à mobilização nacional contra as reformas do governo Temer que, no entender dos sindicalistas, retiram direitos dos trabalhadores. A concentração será na Boca Maldita, a partir das 17 horas.
O deputado estadual Tadeu Veneri (PT), que disputou e perdeu as eleições na capital paranaense em 2016, elogiou o fato de os servidores não se entregarem. "Parabéns por vocês não se submeterem ao que o perfeito queria. Aqueles que ficaram em casa enquanto muitos lutavam pelos direitos de todos não têm como olhar para vocês, que apanharam e estão de cabeça erguida. Podem nos chamar de radicais. Somos radicais sim quando querem nos roubar. Somos baderneiros sim para denunciar a mentira. Só não podem nos chamar de covardes, como é o prefeito, que preferiu ficar escondido ao invés de negociar", discursou.
VOTAÇÃO
O "pacotaço", que agora segue para sanção do prefeito, abrange: a reforma na previdência, com aumento da contribuição pelos servidores; a suspensão da data-base e dos planos de carreira; o leilão de dívidas da prefeitura e a criação de uma lei de responsabilidade fiscal do município. As medidas tramitavam em regime de urgência e, por essa razão, trancavam a pauta. O Executivo justifica que o ajuste é necessário para colocar as finanças da administração em dia.
Os vereadores ainda aprovaram, mas em primeiro turno, um quinto projeto do plano: o que revisa a meta fiscal, atualizando a dívida do município para R$ 2,1 bilhões. A matéria altera o valor estimado pela gestão anterior da Prefeitura de Curitiba, que era de menos R$ 303,2 milhões, para R$ 2,194 bilhões negativos. A assessoria da Câmara informou que o debate foi acompanhado por somente duas servidoras municipais, dos camarotes do espaço.
CONFRONTO
Na segunda-feira (26), a Ópera de Arame amanheceu cercada por policiais militares, que permitiam apenas a entrada de pessoas autorizadas. Todas eram revistadas antes de entrar. Os parlamentares se reuniram no palco, enquanto assessores e jornalistas ficavam em "camarotes" no piso superior. Impedidos de participar, milhares de funcionários públicos protestaram em frente à Pedreira Paulo Leminski, que fica ao lado, com faixas, apitos e megafones.
Um helicóptero da Polícia Militar (PM) sobrevoava o local. Por diversas vezes, o clima ficou tenso. A Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná (Sesp) informou que 24 pessoas, sendo 14 manifestantes e dez policiais, ficaram feridas.
O Sismuc, contudo, contou que muitos trabalhadores precisaram ser hospitalizados e que inúmeros outros tiveram escoriações, ferimentos ou passaram mal, atingidos por balas de borracha, spray de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo. Também o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (Sindijor-PR) repudiou as agressões sofridas por ao menos 13 profissionais de imprensa.
A assessoria de imprensa da Secretaria informou que a PM deteve três pessoas: por carregar spray de pimenta, por portar cocaína e por desrespeitar a área disponível para a imprensa e assessores. Esse último teria desacatado os policiais e usado de força. Em nota, a Sesp lamentou o confronto, mas alegou que os manifestantes não se concentraram no local determinado previamente e que "partiram para cima dos policiais, jogando grades de proteção, pedras e até um extintor de incêndio".


