Servidores em greve ocupam prefeitura
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terça-feira, 21 de novembro de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
Funcionários da Prefeitura Municipal de Rolândia (21 km a leste de Londrina) entraram ontem em greve e ocuparam, durante quase toda a tarde, as escadarias e o saguão de entrada do prédio. O motivo da paralisação, segundo o Sindicato dos Servidores Municipais, é o não pagamento parcial da folha de setembro e de praticamente toda a folha de outubro. Apenas funcionários da Educação, que são contemplados com a verda do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), receberam os salários.
A presidente do sindicato, Sílvia Motta, estima que pelo menos mil funcionários de um total de 1,3 mil estão sem o salário de outubro. Ela acrescentou que a folha de novembro, que seria paga no último dia trabalhado deste mês, também deverá sofrer atraso. Não foi a primeira vez mas agora chegou o nosso limite. Tentamos dialogar com a prefeitura, pessoalmente e por correspondência, e não fomos atendidas. Não deu mais para segurar.
A sindicalista informou que no início da tarde de ontem chegou a ter uma conversa com o secretário de Fazenda de Rolândia, José Braz dos Santos, e a única alternativa apresentada não agradou a categoria. A proposta foi de aguardar até quarta-feira (amanhã), quando chega a verba do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Mas não era nada concreto porque ele não sabe quanto vem nem se daria para pagar todo mundo. Por isso vamos ficar parados até ter uma solução, destacou.
O prefeito de Rolândia, José Perazolo (PFL) não foi encontrado ontem na prefeitura. O secretário da Fazenda, José Braz, confirmou que o município está sem caixa mas espera que a verba do ICMS, liberada amanhã, seja suficiente para cobrir a folha. A crise é geral: na família, no município, no Estado e na União. E o município vive sobretudo dos repasses do ICMS e do Fundo de Participação dos Município (FPM). Mas o dinheiro não dá, lamentou.
Braz revelou que com o ICMS e o FPM a Prefeitura de Rolândia arrecada mensalmente R$ 624 mil líquidos. Somando outras receitas, o valor sobe para R$ 1,1 milhão. Mas somente a folha de pagamento consome, desse total, R$ 882 mil. Sobra muito pouco para as outras despesas e não está dando, admitiu. Sem contar que a inadimplência é alta, temos uma dívida vencida de R$ 6 milhões e ninguém paga, assegurou.
Para tentar reequilibrar o caixa, o secretário disse que vai mandar executar na Justiça os devedores sobretudo de IPTU e ISS. Tem uma empresa de Curitiba, por exemplo, que tem dívida com a prefeitura de R$ 900 mil. Vamos ter que correr atrás do prejuízo. Apesar de todas as dificuldades, Braz assegurou que a prioridade da administração é o pagamento dos funcionários. Ele admite que o prefeito eleito, Eurides Moura (PMDB), vai pegar um abacaxi a partir de janeiro. Ele terá que ser duro na arrecadação.


