Curitiba – Uma semana depois de ter aprovado um índice de 3,45% para o funcionalismo estadual, a ser pago somente em outubro deste ano, a Assembleia Legislativa (AL) começa a analisar hoje propostas de reposição salarial de 8,17% para os servidores do Tribunal de Justiça, Ministério Público, Tribunal de Contas e Defensoria Pública. As mensagens já estão na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, provavelmente, devem ser votadas em plenário a partir da próxima semana.
Diferente dos demais poderes, funcionários do Legislativo não terão o reajuste integral da inflação. Pressionada durante a votação sobre o índice para os servidores do Executivo, a Casa decidiu manter os 3,45% também para os funcionários da AL. "O Legislativo dá o exemplo, é o mesmo índice que servidores estaduais estão recebendo. Seria um contrassenso que a Assembleia propusesse um reajuste diferente depois de ter intermediado um acordo com o funcionalismo estadual nesses percentuais", destacou Ademar Traiano (PSDB), presidente da Casa.
O texto que deve ser aprovado estabelece o pagamento de 3,45% (referentes à inflação de maio a dezembro de 2014) em uma única parcela em outubro deste ano. A inflação de 2015 será zerada em janeiro de 2016. Já as perdas inflacionárias de 2016 serão pagas em janeiro de 2017 – quando os servidores ainda ganharão um adicional de 1%. Também está prevista a reposição do IPCA de janeiro a abril de 2017 a ser paga em 1.º de maio daquele ano – quando a data-base do funcionalismo voltará a ser em maio e não mais em janeiro.
Para a oposição, da mesma forma que ocorreu em relação ao servidores do Executivo, a proposta beira o incompreensível. "A única coisa que talvez queira se fazer com isso, é ser uma extensão do Poder Executivo que é muito ruim, ou fazer média com o Executivo. Vamos defender os 8,17% porque achamos que é o mais justo e correto", ressaltou o deputado Tadeu Veneri (PT).

LUIZ ABI


As denúncias de que o empresário Luiz Abi Antoun, parente distante do governador Beto Richa (PSDB) e investigado nas operações Publicano e Valdemort, teria pago despesas de hospedagem do secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, num dos principais hotéis de Curitiba no final de ano, repercutiu na Assembleia Legislativa ontem. Conforme informações da investigação, a empresa Alumpar Alumínios, de propriedade da família Abi Antoun, teria pagado pelo menos seis diárias no hotel. O secretário nega qualquer tipo de irregularidade. "Isso é extremamente grave. Qual é a relação do Luiz Abi com o secretário Mauro Ricardo? Ninguém paga a conta de alguém sem conhecê-lo. Provavelmente, o Ministério Público vai tomar providências sobre isso´´, cobrou Veneri. Já o líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), saiu em defesa de Costa e apresentou alguns comprovantes do pagamento que teria sido feito pelo próprio secretário. "(Os extratos) comprovam claramente que quem pagou a despesa da hospedagem durante a posse do secretário, foi o Mauro Ricardo Costa, não há nenhum pagamento feito por Luiz Abi."

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