Servidores do PR querem reajuste
Leandro Donatti
De Curitiba
Arquivo Folha
Maria Elisa: crise nas finanças
O aumento do salário mínimo, anunciado anteontem pelo presidente Fernando Henrique, desencadeou uma campanha salarial entre os servidores públicos do Paraná. Sindicatos da categoria divulgaram ontem Carta aberta ao governador Jaime Lerner, com uma série de reivindicações salariais que vão desde a concessão de auxílio-alimentação de R$ 203,00 para todos os servidores do quadro geral até a reposição salarial de 42% já em abril.
Os servidores pedem ainda pagamento de verba de representação de 80% para os técnicos de nível universitário; gratificação de produtividade no valor de R$ 165,00 para todo o funcionalismo e promoções. O documento foi redigido pelo Sindicato dos Servidores da Secretaria da Agricultura e Abastecimento (Sindi-Seab) e encaminhado ontem mesmo para análise do Palácio Iguaçu.
Em três laudas, os servidores analisam os próprios salários. Reclamam que o último reajuste concedido pelo governo do Estado foi há quatro anos e sete meses. Com esse novo salário mínimo nacional de R$ 151,00, válido a partir de 3 de abril, pela primeira vez na história da administração pública do Paraná, o menor vencimento básico da tabela salarial do quadro geral (padrão AA R$ 141,82) ficará bem abaixo do mínimo nacional, segue um trecho do documento.
Senhor governador, como pode ser visto, a situação por que passam os servidores é calamitosa! Assim, solicitamos medidas urgentes, apelam os servidores. Será o governo de Vossa Excelência tão insensível que não enxerga tal realidade?, questionam. Como pode um governo deixar à míngua seus trabalhadores, há tanto tempo com os mesmos salários?, interrogam.
Procurada pela Folha, a secretária da Administração Maria Elisa Paciornik disse que o governo vai analisar as sugestões feitas pelos sindicatos dos servidores. Porém, adiantou que as finanças passam por um período de dificuldades e que o governo está restrito a regras fiscais. A secretária se reúne no início da semana que vem com o governador Jaime Lerner (PFL) para discutir as repercussões do anúncio do presidente. Num primeiro momento, o governo não precisará correr contra o tempo e enviar mensagem para a Assembléia, fixando piso. O impacto inexiste.
Segundo Maria Elisa, nenhum servidor lotado no Paraná ganha menos de R$ 151,00, somando-se o auxílio-alimentação de 30% que é pago em dinheiro. Os servidores contestam, afirmando que há salários menores sim. A secretária da Administração disse que não tem nada definido ainda: se o governo pretende ou não fixar um piso estadual, como facultou o presidente. Na reunião da semana que vem, o governo também decide a manutenção ou não do Serviço Médico Hospitalar.





