Curitiba - Os servidores públicos do Quadro Próprio do Poder Executivo (QPPE) estão planejando uma grande mobilização no próximo dia 27 para reivindicar reajuste salarial, promoções e equiparação com os salários recebidos por funções similares desempenhadas na Assembléia Legislativa do Paraná. O movimento, que está sendo chamado de Fórum Sindical, aprovou indicativo de greve caso não haja uma negociação salarial. De acordo com o diretor do Sindicato dos Servidores Estaduais da Agricultura, Meio Ambiente, Fundepar e Afins (Sindi-Seab), Heitor Rubens Raymundo, o governo Roberto Requião (PMDB) tem adotado a mesma prática de arrocho salarial do Governo Jaime Lerner (PSB).
''Estamos mobilizando nossos 12 sindicatos para exigir do Governo Requião o imediato pagamento do passivo trabalhista que ele tem com os servidores do quadro próprio'', informou Raymundo. As discussões salariais mais acirradas começaram depois que a Assembléia Legislativa aprovou a Resolução Interna nº 007 de 31 de agosto de 2004 dispondo sobre o quadro efetivo de pessoal do Poder Legislativo. As diferenças salariais entre os dois poderes (Legislativo e Executivo) se avolumaram ainda mais.
Um jardineiro da Assembléia Legislativa, por exemplo, que tem apenas o ensino fundamental, tem um vencimento inicial de R$ 1.344,00 e poderá se aposentar com um salário de R$ 1.743,80. Um viveirista do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), com o mesmo estudo, inicia a carreira recebendo R$ 228,41 e pode se aposentar com um salário de R$ 901,33. Um segurança da Assembléia Legislativa, também com conclusão de ensino fundamental, tem salários ainda melhores. Ele poderá iniciar no cargo recebendo R$ 1.424,06 e se aposentar com um salário de R$ 1.986,29. O salário é maior do que o limite máximo que um agente penitenciário poderá chegar em fim de carreira, que é de R$ 1.318,82.
''As discrepâncias são absurdas. Será que a água, a luz, o telefone e os ônibus circulares são diferentes no Quadro Próprio do Poder Executivo (QPPE)'', questionou o contador Edson Sadao Imoto, ouvidor do IAP e funcionário do governo do Estado desde 1983. Os servidores ameaçam ainda entrar com ações judiciais pedindo a isonomia salarial entre os poderes. Ontem, servidores do QPPE tiveram uma reunião interna na Secretaria de Estado do Meio Ambiente para definir as estratégias para a manifestação popular prevista para a semana que vem. No total, o QPPE tem 20.078 servidores.

mockup