Servidores discutem reforma com ministros
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de junho de 2003
Agência Estado 
Brasília - Depois de aprovarem, na tarde de sábado, a convocação de uma greve do funcionalismo público federal a partir de 8 de julho, representantes de 13 entidades de servidores se reúnem hoje com oito ministros para defender a abertura de negociações sobre a reforma da Previdência. As entidades, a maioria delas filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), vão entregar uma carta aos ministros solicitando audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para pedir a retirada da proposta da Previdência do Congresso.
''Já conversamos com todos os ministros e não conseguimos resolver nada. Agora queremos falar com o presidente'', reclamou o secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), Gilberto Jorge Cordeiro Gomes, que participa do encontro com os ministros.
Oficialmente, a reunião desta segunda entre os representantes sindicais e os ministros servirá para oficializar a criação de uma mesa permanente de negociações com o governo federal. O objetivo é reorganizar e recuperar o serviço público, dando ênfase a iniciativas como a instituição de um plano de carreira para a categoria. Mas o Palácio do Planalto espera, com a mesa de negociações, atrair os sindicalistas ligados ao PT e deixar do outro lado os contrários ao governo.
Os sindicalistas ligados às entidades de servidores públicos estão divididos quanto ao apoio ao governo. Essa divisão ficou clara durante a Plenária Nacional dos Servidores Públicos Federais, no sábado, em Brasília. A greve do funcionalismo foi aprovada pela maioria dos cerca de 350 delegados sindicais, mas metade deles é favorável à negociação de pontos da reforma da Previdência com o governo federal. A outra metade quer que o governo simplesmente retire a reforma da Previdência do Congresso.
''Não podemos dizer simplesmente não à reforma da Previdência. Existem pontos na proposta que são bons, como o aumento do teto de aposentadoria para os trabalhadores da iniciativa privada'', argumentou Denise Motta, presidente da Confederação de Trabalhadores em Seguridade Social e da Executiva da CUT.
A mesa de negociações permanente com os servidores é integrada pelos ministros do Trabalho, Jaques Wagner; do Planejamento, Guido Mantega; da Fazenda, Antônio Palocci; da Previdência, Ricardo Berzoini; da Saúde, Humberto Costa; e da Educação, Cristovam Buarque, além do ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci, e ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.
Na reunião de hoje com os sindicalistas, os ministros vão fazer um resumo das ações do governo na área do serviço público federal. Vão dizer que nos primeiros cinco meses de governo Lula foram contratados mais de 20 mil novos servidores para as áreas de educação, saúde e segurança pública.


