Os 400 servidores municipais da Prefeitura de Palmital (Centro-Sul) ainda não receberam os salários de dezembro, que deveria ter sido depositado no último dia 22, e não há previsão para que o atraso seja regularizado. O atual prefeito, Darci Zolandek (PMDB), alega que recebeu a administração em uma situação ''precária'', e que não há dinheiro em caixa para acertar a folha de pagamento dos servidores, que está na ordem de R$ 600 mil.
O novo procurador do município, Luiz Paulo Zolandek, afirmou que os salários dos servidores serão pagos em janeiro normalmente, mas não há previsão para o pagamento do salário atrasado. A presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Palmital, Alníria Godoy dos Santos, afirmou que não ia se pronunciar sobre o assunto até que uma proposta sobre o pagamento fosse feita pela nova administração.
Além do atraso nos salários, Zolandek reclama que recebeu a administração do ex-prefeito Clério Bach (PR) com frota sucateada e com dívidas no fundo de previdência do funcionalismo público, de aproximadamente R$ 1 milhão, com contas de água e luz sem pagar há vários meses - uma no valor de R$ 49 mil e a outra no valor de R$ 60 mil - e com o telefone cortado. O ex-prefeito nega as acusações, mas a situação já chamou a atenção do promotor de Justiça da comarca de Palmital, Leandro Ataídes, que deve se reunir na manhã de hoje com a atual administração para estudar os problemas financeiros da prefeitura.
Por conta de todos os problemas e a suposta formatação dos computadores do prédio do Executivo - o que não teria permitido uma análise aprofundada da administração -, será necessária a abertura de uma auditoria em todas as contas públicas. ''Já esperávamos que seria complicado, mas a situação é ainda pior. Faremos uma auditoria de todo o patrimônio porque o recebemos de uma forma lamentável. E entregar a prefeitura com os computadores formatados é ainda pior, porque fica difícil analisar a situação com seriedade'', explicou Zolandek.
Para o atual prefeito, a maior preocupação é com o transporte público escolar rural, já que as aulas devem começar dentro de um mês. ''Como o município é basicamente agrícola, e a maioria das pessoas mora na área rural, temos que ter esse transporte. Mas os ônibus estão em estado péssimo.''
Outro lado
O ex-prefeito negou as acusações, e acrescentou que também recebeu a prefeitura em situação complicada no início de 2009 - quando Zolandek era prefeito de Palmital. Zolandek e Bach intercalaram as administrações. ''O ex-prefeito, que agora voltou, também deixou a folha sem pagar. Estranhamente agora ele está reclamando, mas ele fez o mesmo procedimento.'' Bach alegou que não pagou os salários por falta de dinheiro em caixa para pagar todo o funcionalismo. Sobre o corte no telefone, Bach afirmou que precisou cancelar o plano quando encerrou sua gestão, mas não soube informar sobre a falta de pagamento das contas de água e luz. ''Isso era com o departamento de tesouraria e muitas vezes nós não tínhamos conhecimento disso. Então não posso afirmar se estavam pagas ou não.''
Sobre o fundo de previdência, que a atual administração alega que estava sendo descontada da folha dos servidores mas não estava sendo repassada à conta, o prefeito também alegou que não sabe informar o que aconteceu. ''Nós triplicamos o valor do fundo, e se existe alguma pendência não é nada próximo ao valor que estão afirmando, é coisa de R$ 200 mil, não mais que isso'', disse ele, sem entrar em detalhes.

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