Servidores de Maringá suspendem a greve
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de julho de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Os servidores municipais de Maringá decidiram ontem em assembléia suspender o movimento de paralisação que já durava um mês reivindicando reposição salarial de 16%. Os trabalhos serão retomados integralmente a partir de amanhã, mas a categoria optou por manter o estado de greve.
A decisão foi aprovada um dia depois de a Prefeitura anunciar a abertura de processo administrativo para demissão de 22 grevistas. O grupo foi indiciado por dano ao patrimônio e por formação de quadrilha, na semana passada, durante uma invasão ao prédio da prefeitura. Também anteontem, o funcionalismo começou uma campanha de arrecadação e distribuição de cestas básicas para os servidores, uma vez que 1.713 deles tiverem 16 dias de salário descontados na folha deste mês.
De acordo com a presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Maringá (Sismmar), Ana Pagamunici, a suspensão do movimento foi uma espécie de ''recuo estratégico'' para definir possíveis rumos futuros da greve. ''É o momento de reorganizarmos a categoria para que, se necessário, voltar com força total. Além do mais, o desgaste e o impacto do servidor têm sido grandes, uma vez que a Prefeitura cortou mais da metade do salário mensal'', argumentou.
Ana negou que a abertura de processo administrativo tenha influenciado a decisão de ontem definida em assembléia com cerca de 800 funcionários, pelos cálculos do Sismmar , já que a entidade avaliou a medida da administração como ''arbitrária''. ''Na verdade, esperamos decisão judicial pelo pedido de pagamento dos dias parados. A greve é um direito constitucional do trabalhador'', argumentou.
O secretário municipal de Administração, Ademar Schiavone, elogiou a opção pela retomada das atividades, mas não sinalizou com possíveis avanços na negociação entre as partes. ''Por enquanto, não há essa conversa'', resumiu.
Para hoje, o sindicato prepara o Ato Nacional contra a Fome e a Violência, na praça Raposo Tavares (Centro), no evento que pretende coletar alimentos, assinaturas para um abaixo-assinado de reforço à greve, além de panfletagem e discursos de protesto apoiados por autoridades e entidades. A meta é ganhar a simpatia da população ante a reivindicação salarial.


